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domingo, 21 de setembro de 2025

Os Treinadores do Remo no Século 21

Paulo Bonamigo é o técnico que mais comandou o Clube do Remo no século 21 – Foto: Samara Miranda / Remo

Neste século, o Remo realizou 1.247 jogos (oficiais e amistosos), nesse período 70 comandantes (contando interinos) passaram pelo Baenão, confira a quantidade de jogos de cada um deles no comando azulino:

Paulo Bonamigo – 110
Giba Maniaes – 57
Sinomar Naves – 54
Charles Guerreiro – 53
Givanildo Oliveira – 49
Artur Oliveira – 44
Samuel Cândido – 43
Flávio Campos – 37
Válter Ferreira – 35
João Nasser “Netão” – 33
Agnaldo de Jesus – 32
Cacaio – 31
Marcelo Cabo – 31
Josué Teixeira – 29
Márcio Fernandes – 28
Felipe Conceição – 27
Rodrigo Santana – 27
Flávio Araújo – 25
Ricardo Catalá – 25
Roberto Fernandes – 24
Flávio Lopes – 22
Júlio Espinoza – 20
Paulo Comelli – 19
Ronaldo Rangel “Bagé” – 19
Júlio César Leal – 18
Marcelo Veiga – 17
Roberval Davino – 17
Gustavo Morínigo – 16
Mazola Júnior – 16
Cuca – 15
José Dutra dos Santos – 15
Leston Júnior – 15
Antônio Oliveira – 14
Daniel Paulista – 14
Zé Teodoro – 14
Rafael Jacques – 13
João Francisco – 12
Ney da Matta – 12
Waldemar Lemos – 12
Joãozinho Rosas – 11
José Luiz Carbone – 10
Léo Goiano – 9
Tita – 9
Walter Lima – 9
Edson Gaúcho – 8
Eduardo Baptista – 8
Fernando Oliveira – 8
Arthur Bernardes – 7
Eudes Pedro – 7
Gerson Gusmão – 7
Luiz Carlos Martins – 7
Bira – 6
Carlinhos Dornelles – 6
João Abelha – 6
Cláudio Duarte – 5
Ademir Fonseca – 4
Arthur Neto – 4
Neto Pajolla – 4
Oliveira Canindé – 4
Edinaldo Biá – 2
Flávio Garcia – 2
Luiz Carlos Cruz – 2
Alan Ribeiro – 1
Diego Albrecht – 1
Diego Favarin – 1
Fábio Cortez – 1
Fernando Silva – 1
Mário Henrique – 1
Odair Hellmann – 1
Renan Capra – 1

Atualizado até: Remo 0 x 1 Atlético-GO em 20 de setembro de 2025, Série B.

Fonte (pesquisa e texto): Jorginho Neves.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Os Títulos Esportivos do Clube do Remo (1911-1957)

O Liberal, 5 de fevereiro de 1958

A galeria de títulos do Clube do Remo é gigantesca. Porém, como não existe um trabalho de catalogação dos troféus pertencentes ao clube, é difícil dimensionar a totalidade das glórias azulinas, notadamente das outras modalidades esportivas ditas "amadoristas", que não recebem as devidas atenções e espaços nos veículos de comunicação. Felizmente, alguns materiais históricos preenchem pelo menos parte dessas lacunas, como é o caso do jornal O Liberal de 5 de fevereiro de 1958.

A publicação é uma homenagem aos 53 anos de história do Clube do Remo, destacando diversos aspectos da vida do Leão Azul. Um dos tópicos mais importantes é a listagem dos títulos esportivos estaduais desde o primeiro em 1911 (regatas) até 1957, evidenciando o caráter multi-esportivo e vencedor do Filho da Glória e do Triunfo. Obviamente, essas informações precisam de uma pesquisa e análise mais acurada, mas são uma importante referência para o resgaste das conquistas azulinas para além do futebol. 

Eis os títulos do Remo de 1911 até 1957 segundo O Liberal:

Futebol: 1913, 1914, 1915, 1916, 1917, 1918, 1919, 1924, 1925, 1926, 1930, 1933, 1936, 1940, 1949, 1950, 1952, 1953 e 1954.

Remo: 1911, 1912, 1913, 1914, 1915, 1917, 1918, 1921, 1923, 1926, 1929, 1931, 1933, 1934, 1941, 1945 e 1947.

Natação: 1916, 1917, 1918, 1919, 1920, 1925, 1926, 1928, 1937, 1938, 1939, 1940, 1941 e 1956.

Pólo Aquático: 1916, 1917, 1918, 1919 e 1926.

Saltos Ornamentais: 1916, 1917, 1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1924 e 1947.

Atletismo: 1925, 1956 e 1957.

Basquete: 1938, 1939, 1940, 1948 e 1950.

• Vôlei: 1938, 1939, 1940, 1950, 1954, 1956 e 1957.

• Tênis: 1925 e 1930.

• Tênis de Mesa: 1947, 1950, 1951, 1952, 1953 e 1954.

• Celotex: 1955 e 1956.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Cândido Jucá, o Último dos Moicanos


Matéria de O Liberal, de 15 de agosto de 1967, intitulada "Cândido Jucá – O Último dos Moicanos", uma entrevista com o último reorganizador azulino vivo naquela época:

Candido Jucá sobe ao seu aposento no andar superior e traz alguns recortes que guarda com carinho. Uma reportagem publicada na Gazeta Esportiva, assinada por Edgar Proença, e mostra-nos uma Revista do Clube, feita pelo Edir, que conta coisas do Leão do passado.

– Nos reuníamos nos cafés, nas residências dos amigos. Um dia, porém, conseguimos alugar uma casa na Siqueira Mendes, adiante da casa onde hoje é a nossa hoje é a nossa garage náutica. Esta foi a nossa primeira sede. Hoje, o Leão Azul tem um Palácio! 

FUTEBOL COM ANTONICO SÓ EM 13 BRILHOU...

Candido Jucá revela que nunca foi muito de bola. Batia apenas para desenferrujar as pernas. Patroava, também, para conseguir bons músculos, mas, nunca foi craque. Bom torcedor, isto sim! Hoje é benemérito por grandes serviços prestados ao ao clube. "Futebol, quem introduziu no Remo, foi o Antonico, pai do Edilberto Silva, que mais tarde viria ser um grande campeão, um zagueiro e tanto! Mas, somente em 1913, fomos campeões, com Bernardino no goal – Mota e Infante na zaga – Carlito, Aimé e Lulu na linha média e Rubilar, Nahon, Antonico, Chermont e Dudu. Nesse tempo não havia 4-2-4, nem diagonal nem retranca. Não sou saudosista, mas, antigamente se jogava mais bonito e muito mais com garra, com objetivo!...

Em 1911, já no fim do ano, o Remo ganhava a Regata e era campeão de mar que foi o seu primeiro título conquistado oficialmente sob as novas cores e nova organização. Em 16 brilhava na natação, salto e polo aquático que era um dos certames mais animados da época.

FIM QUE NÃO É FIM

Para Candido Jucá, a vida se resume em sua família e no Remo. É pai de 3 filhos todos remistas e sua maior alegria é que os netos (2) já também se manifestam pro Leão Azul. Ainda quero ver o Remo ser campeão este ano, de várias modalidades. No remo, no futebol, no basquetebol e no vôlei, acredito que vamos levar a melhor. Para isto, compareço a tudo, graças a Deus!

Ainda firme em sua torcida pelas cores azulinas, indo a campo como domingo último, ou não perdendo um só jogo na quadra do Ginásio Serra Freire, que é pertinho de sua casa, Candido Jucá – o reorganizador vivo do Clube do Remo, nos seus 75 anos de existência, recorda 15 de agosto de 1911...

Candido Jucá, um tanto alquebrado pelo tempo, foi um dos 10 filhos do primeiro matrimonio do velho Jucá. Um de seus irmãos (já do segundo matrimonio de seu pai), o Barata Jucá, que é meu amigo e trabalha na Cipab, saiu diferente: é Papão da Curuzu tinindo...

– É, revela Candido, – eu pagava a entrada dele no campo, pro safado torcedor contra o meu clube! Mas isto já faz tanto tempo...

UM TIME FAZ UM CLUBE

O "velho" Jucá recebe amavelmente (entre acanhado e surpreso) o jornalista. Sua casa, com alguns móveis modernos e outros antigos, revela logo de antemão que seu dono tem estórias a contar.

E êle revela então, com certo orgulho de torcedor e benemérito remista – Fomos onze, um time. Metemos o peito e decidimos reorganizar o Remo que desde 1910 sofrera uma crise e estava a se apagar. De seus fundadores, só havia em nosso grupo, o Palmério Pinto, que morreu mais tarde no Rio. Ele, eu, e mais: Oscar Saltão, Elzemann Magalhães, Geraldo Mota mais conhecido como Rubilar, Severino Poggi, que morreu em Pernambuco; Mario Araujo, também mais tarde falecido em Recife: Antonio Ribeiro da Silva, o Antonico; Jaime Lima que faleceu depois no Rio, e os manos Harley Corlett Pereira e Nertan Corlett Pereira, ambos falecidos mais tarde no Ceará, decidimos reestruturar o Grupo do Remo. O Remo não tinha sede, não tinha nada. Mas, no dia 15 de Agosto de 1911, concretizamos a nossa idéia. Mudamos de Grupo para Clube do Remo, com escudo CR como está até hoje. De lá, para ca, o tempo mostrou que estavamos no caminho certo, não deixando o Remo "morrer"...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Histórico do Clube do Remo no Campeonato Paraense

Foto: Cristino Martins/O Liberal.

A primeira vez em que o Clube do Remo disputou o Campeonato Paraense foi em 1913. Desde então, só não esteve presente nas edições de 1932 e 1937 por divergências com as entidades gestoras do futebol local na época. Sendo assim, são 108 participações até de 2024. Vale lembrar que não houve campeonato em 1935 e 1946.

Já em sua primeira aparição, o Filho da Glória e do Triunfo foi campeão invicto, emendando títulos consecutivos até 1919, quando sangrou-se como o primeiro e único heptacampeão paraense. Além disso, o Remo possui um pentacampeonato (1993-1997), cinco tri (1924-1926, 1952-1954, 1973-1975, 1977-1979 e 1989-1991) e cinco bi (1949-1950, 2003-2004, 2007-2008, 2014-2015 e 2018-2019), além de outros 10 títulos isolados (1930, 1933, 1936, 1940, 1960, 1964, 1968, 1986, 1999 e 2022), somando 47 conquistas.

O primeiro jogo do Leão no Campeonato Paraense foi em 14/07/1913, quando venceu o União Sportiva por 4 a 1. Em números gerais, são 1.607 jogos, com 1.027 vitórias, 331 empates e 240 derrotas. Marcou 3.706 gols e sofreu 1.425. Além disso, constam nove jogos em que não se sabe o placar. 

O melhor aproveitamento do Remo foi em 2004, quando sagrou-se campeão com 100%, o único na era profissional. Contando com esse, o Leão soma 16 títulos conquistados de maneira invicta (1913, 1915, 1917, 1924, 1933, 1936, 1968, 1973, 1974, 1975, 1978, 1989, 1991, 1993, 1995 e 2004). As conquistas de 1914, 1918 e 1919 não foram incluídas por possuírem jogos de resultados desconhecidos.

A maior goleada foi 14 a 0, que ocorreu duas vezes: uma contra o Fênix em 22/07/1917 e a outra contra o Panther em 01/07/1923. A maior série invicta foi de 56 jogos, entre 1972 e 1976, período em que o Remo obteve um inédito tricampeonato invicto. Já a maior sequência de vitórias foi de 15 partidas entre 2003 e 2004, sendo 14 na conquista do título 100%.

Em relação aos recordes individuais, destaca-se o nome de Dadinho como o maior artilheiro azulino, com 82 gols marcados de 1982 a 1986. Ele e Alcino são os jogadores azulinos com maior número de artilharias no Campeonato Paraense (três, cada). Já o maior artilheiro em um único campeonato foi Bira, com 32 gols em 1979, um feito nunca igualado na história da competição. Bira também detém o recorde azulino de mais gols em único jogo: oito na vitória de 10 a 0 sobre o Liberato de Castro em 15/10/1978.

No quesito torcida, o Mais Querido é o líder de público no período compreendido entre 2012 e 2024, com uma média de 12.447 pagantes/jogo – contra 9.301 pagantes/jogo do maior rival. O maior público foi de 40.139 pessoas (36.809 pagantes) em 29/04/2012, na vitória de 2 a 0 sobre o Águia de Marabá, na final da Taça Estado do Pará (segundo turno).

Por fim, considerando os participantes do Campeonato Paraense de 2025, o Remo possui retrospecto favorável contra quase todos, exceto contra o São Francisco, que mantém um histórico empatado (três vitórias para cada). O único em que o Leão jamais enfrentou foi o Capitão Poço.

Segue o retrospecto remista contra os participantes do Campeonato Paraense 2025 (válidos apenas os jogos pelo estadual):

- Águia de Marabá: 45 J / 31 V / 9 E / 5 D.
- Bragantino: 31 J / 23 V / 6 E / 1 D.
- Caeté: 4 J / 3 V / 1 E.
- Cametá: 25 J / 14 V / 8 E / 3 D.
- Castanhal: 37 J / 26 V / 6 E / 4 D.
- Capitão Poço: confronto inédito.
- Independente: 28 J / 15 V / 6 E / 7 D.
- Paysandu: 355 J / 123 V / 125 E / 107 D.
- Santa Rosa: 34 J / 28 V / 3 E / 3 D.
- São Francisco: 14 J / 3 V / 8 E / 3 D. 
- Tuna: 234 J / 110 V / 63 E / 60 D.

Legenda: J = Jogos; V = Vitórias; E = Empates; D = Derrotas.

Obs.: Os dados dessa postagem podem sofrer alterações/atualizações na medida em que novas informações forem descobertas.

Colaboração: Cássio Reis e Francisco Nepomuceno.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O Esquecido Campeonato Paraense de 1906

Time do Brasil Club em 1907, talvez o primeiro campeão paraense da história. Foto: Revista Tiro e Sport (POR), 15/05/1907

Oficialmente, o Campeonato Paraense de Futebol começou em 1908 e teve o União Sportiva como campeão. Porém, um pouco antes, no final 1906, uma outra competição havia sido criada e movimentou o cenário esportivo de Belém. Entretanto, o desfecho dessa competição pioneira ainda permanece obscuro, aceitando-se atualmente que ela não teve um final. Mas talvez isso não seja verdade. Nesse texto, segue o material mais completo sobre o esquecido primeiro Campeonato Paraense da história.

Segundo o pesquisador Ferreira da Costa em seu livro Parazão Centenário – A História do Campeonato Paraense de Futebol, de 2012, em 05/12/1906 fundou-se a Pará Foot-Ball Association League. A entidade organizou um campeonato que iniciou no dia 16/12 daquele ano com a partida Pará Foot-Ball Clube 10 x 0 Belém Foot-Ball Club. A tabela era organizada em turno único e seguiria mais ou menos o calendário europeu. Porém, por divergências entre os componentes da Liga, a competição foi suspensa em junho de 1907.

Pois bem, como base nisso, a Enciclopédia do Leão fez uma pesquisa mais aprofundada sobre essa competição, utilizando como base o jornal Folha do Norte, complementado pela A Província do Pará entre o segundo semestre de 1906 e o primeiro de 1907. Na edição de 18/11/1906, a Folha noticiou que naquela data, os clubes participantes da Liga iriam se reunir para eleger a diretoria.

Folha do Norte, 18/11/1906

O primeiro jogo do "Campeonato de Foot-Ball" foi realmente entre o Pará Foot-Ball Club e o Belém Foot-Ball Club em 16/12/1906, porém o placar foi 7 a 0 favorável ao Pará, gols de Antonio Andrade, Tavares Cardoso, Delfim (4) e Newton. O local de jogos era o campo da Praça Floriano Peixoto.

Folha do Norte, 18/12/1906

Além do Pará FC e do Belém FC, participaram Brasil FC, Sportivo FC, Sport Club, Recreativo Club, Pará Club, Internacional Club. Os jogos eram disputados aos domingos em frequência quase semanal e ocorreram até meados de abril de 1906. A partir de então, os jornais simplesmente deixaram de noticiar jogos e não foi possível descobrir quem foi o campeão, já que além de não se divulgar a classificação do campeonato, é difícil organiza-la pelo número discrepante de jogos dos disputantes.

Entretanto, uma descoberta do historiador amazonense Gaspar Vieira Neto pode dar uma luz sobre o desfecho do certame. Ele descobriu uma nota no Jornal do Commercio (AM) de 31/05/1907 informando que no dia 19/05 havia sido disputado o último jogo do Campeonato Paraense entre o Brasil FC e o Pará Club.

A notícia deu detalhes do confronto, que contou com um público de cerca de 5.000 pessoas. Segundo a publicação, o Pará (referido como o time dos ingleses) era considerado o melhor time e o mais cotado para vencer a partida, mas para ser campeão, estranhamente precisava de uma vantagem de seis gols. Portanto, como o resultado final foi 0 a 0, o título ficou com o Brasil.

Jornal do Commercio, 31/05/1907

Apesar disso, não há como se ter certeza desse final, já que, como citado anteriormente, não foi possível confirmar essa informação nos jornais de Belém. Além disso, a confusa informação de que o Pará Club, que sim era o melhor time da competição, mas precisava vencer por uma diferença de seis gols para obter a "Taça de Campeão", deixa em dúvida a veracidade da informação. Por fim, é difícil se estabelecer uma classificação final do campeonato pelo número discrepante de jogos dos participantes (listados a seguir) e a ausência de uma fórmula clara de disputa.

Em outra descoberta do historiador amazonense Gaspar Vieira, uma luz sobre o que pode ter ocorrido naquela edição veio à tona na revista portuguesa Tiro e Sport de 15/07/1907. Nela, consta uma nota do correspondente paraense A. Mendes, informando que antes do término do Parazão, a Liga foi dissolvida e os jornais boicotaram a divulgação dos jogos. Essa pode ser a razão de não haver mais notícias de partidas a partir de maio daquele ano. 

Tiro e Sport (POR), 19/05/1907

Dessa forma, pode ser que o jogo de 19/05/1907, no qual o Brasil Club foi supostamente campeão, tenha sido um acordo entre os disputantes diante do imbróglio envolvendo a Liga. Entretanto, por causa dessas polêmicas, a competição pode ter sido invalidada. Portanto, ainda não dá para se confirmar com 100% de certeza o título do Brasil. Ao menos já se tem uma ideia do que aconteceu naquela época.

Diante do exposto, faltam informações suficientes para poder dar um veredicto sobre o Campeonato Paraense de 1906. Mais pesquisas são necessárias. Todavia, fica o registro, pois no futuro, com novas descobertas, a história do futebol paraense poderá se recontada e um título, até então esquecido, será justamente contabilizado.

OS JOGOS DO CAMPEONATO PARAENSE DE 1906

Nota: É possível que algum jogo daquele campeonato não esteja contabilizado na listagem abaixo.

16/12/1906. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 7 X 0 BELÉM FOOT-BALL CLUB.

23/12/1906. 
BRASIL FOOT-BALL CLUB 2 X 1 SPORTIVO FOOT-BALL CLUB.

30/12/1906. 
SPORT CLUB 2 X 0 RECREATIVO CLUB.

06/01/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 3 X 0 BRASIL FOOT-BALL CLUB. 

13/01/1907. 
CLUB SPORTIVO 0 X 3 BELÉM FOOT-BALL CLUB. 

20/01/1907. 
CLUB RECREATIVO 0 X 0 BRASIL FOOT-BALL CLUB. 

27/01/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 3 X 2 PARÁ CLUB.

03/02/1907. 
BRASIL CLUB 0 X 0 BELÉM FOOT-BALL CLUB.

03/02/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 5 X 0 CLUB RECREATIVO.

Nota: Não ficou claro na Folha do Norte se esses jogos do dia 03/02 eram do campeonato ou amistosos (talvez o primeiro entre Brasil e Belém fosse).

10/02/1907. 
PARÁ CLUB 7 X 0 BELÉM FOOT-BALL CLUB. Obs.: Primeiro jogo vespertino realizado no Pará.

17/02/1907. 
CLUB RECREATIVO 1 X 1 INTERNACIONAL CLUB. Obs.: Estreia do Internacional no campeonato.

24/02/1907. 
PARÁ CLUB 8 X 0 BRASIL FOOT-BALL CLUB. 

03/03/1907. 
PARÁ CLUB 6 X 0 BRASIL FOOT-BALL CLUB.

03/03/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 7 X 0 INTERNACIONAL CLUB.

10/03/1907. 
PARÁ CLUB 6 X 0 CLUB RECREATIVO.

17/03/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 2 X 0 BELÉM FOOT-BALL CLUB. 

24/03/1907. 
BRASIL FOOT-BALL CLUB X CLUB RECREATIVO.

07/04/1907. 
BELÉM CLUB 3 X 1 CLUB RECREATIVO.

14/04/1907. 
PARÁ FOOT-BALL CLUB 2 X 0 BRASIL FOOT-BALL CLUB.

21/04/1907. 
CLUB RECREATIVO 0 X 9 PARÁ CLUB.

28/04/1907.
BRASIL FOOT-BALL CLUB X BELÉM CLUB. 
Obs.: O Brasil FC venceu.

Nota: Todos esses jogos foram confirmados pelos jornais locais da época (Folha do Norte e A Província do Pará), mas a partir daqui eles simplesmente deixaram de noticiar sobre o campeonato. Não se sabe o real desfecho da competição.

19/05/1907. 
BRASIL FOOT-BALL CLUB 0 X 0 PARÁ FOOT-BALL CLUB.
Campo da Praça Floriano Peixoto – Belém (PA).
Público: 5.000 (estimado).
Brasil FC: Martinho Guimarães; Feio e Camerino; Soares, Marcos e Simões; Francisco Pinto, Benedicto Athayde, Everdoza, Lucas e César Salles.
Morrell; Bilton e Stowell; Grant, White e Higson; Clissol, Wertzmann, Whright, Barley e Denning.
Obs.: Jogo noticiado pelo Jornal do Commercio (AM), sem a confirmação nos jornais paraenses utilizados nessa pesquisa.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

A Fundação do Remo, por José Henrique Danin, o Fundador Número Um

José Henrique Danin em 1955 – A Província do Pará, 5 de fevereiro de 1955.

Entrevista com José Henrique Danin, um dos fundadores do Remo, publicada pela A Província do Pará em 5 de fevereiro de 1955:

Quando o Clube do Remo encerra o primeiro meio século de sua existência, não se pode deixar de levar o pensamento àqueles que o idealizaram, aqueles que primeiro viveram os seus anseios, as suas esperanças, as suas primeiras vitórias.

Quem teriam sido êles?

Como nasceu a idéia de fundação do Remo? E por que êsse nome? De quem a sugestão de assim batizá-lo?

Tudo isso é cousa que a geração moça do grande clube de Periçá desejaria conhecer nos seus mínimos detalhes.

É verdade que, por essas colunas, já Leonardo Ribas, pseudônimo que mal esconde figura veterana e querida do esporte da nossa terra, bem de perto ligado ao velho grêmio azulino, vem contando, desde dias atrás, muito da vida do Remo, nos primeiros dias.

Mas a reportagem decidiu procurar mais alguma cousa.

O FUNDADOR NÚMERO UM

E pusemo-nos a pensar a quem ir procurar. corremos a vista pela lista dos fundadores, que nós aparecia em número de vinte.

Dêsses, apenas um, parece-nos, ainda vive. E exatamente o número um dos fundadores: José Henrique Danin. Não poderíamos encontrar ninguém melhor e mais autorizado para falar sôbre os primeiros dias do Clube do Remo. Um telefonema ao coronel Moura Carvalho, figura ilustre e querida do nosso Exército, ex-governador do Estado e recém-eleito deputado à Assembléia Legislativa paraense, e acertamos o encontro. José Henrique Danin é sogro do coronel Moura Carvalho e daí termos procurado a intercessão deste para a entrevista. Já não sai de casa, há uns pares de anos, o fundador número um do Remo, a quem os anos não quebraram o entusiasmo de espírito, nem fizeram arrefecer a vibração pelo que foi obra sua, inspiração sua e de uns poucos companheiros, nos dias distantes da mocidade, há cinquenta anos atrás.

O NOME, INSPIRAÇÃO DE UM CLUBE EUROPEU

Falando pausadamente como quem em câmera lenta, estivesse a repassar no cérebro o filme das rememorações mais ternas, – o velho Danin, – permita-nos o fundador número um que o tratemos assim, nesta reportagem começou a dizer: 

— Éramos sete, no primeiro instante. Uma dissidência do Esporte Clube do Pará, a que então pertencíamos, levou-nos a pensar na fundação de um outro clube. Esses sete, eram Vitor Engelhard, Raul Engelhard, Vasco Abreu, Eugênio Soares, pai, Narciso Borges, nós e um outro que, no momento, não tenho bem certeza, se era Jean Marechal ou Eduardo Cruz, pois ambos, logo depois, estavam conosco.

Fundamos, então, o Grupo do Remo.

— Mas, por que êsse nome?

— Vou contar. Balamos a cabeça pensando que nome daríamos ao clube, ou melhor, ao Grupo. Foi quando Raul Engelhard, que estudara na Europa, sugeriu Grupo do Remo.

— Não vai ficar muito bem – advertiu um. E logo outro concordou. Naquele tempo, remo lembrava logo catraia. E poderiam pensar que éramos um clube de catraeiros.

Raul Engelhard explicou, porém, a sugestão. Lembrara-se um clube europeu – o Rowing Club, Inglaterra. E assim nos convenceu. Ficou o nome: – Grupo do Remo.

— A cisão – continuou José Henrique Danin – no Esporte Clube se deu por causa de uma regata, na hora de formar as guarnições, e por causa, exatamente, da guarnição em que eu formava com os dois Engelhard e Eduardo Cruz, patroados por um filho de Cruz, alcançamos grandes vitórias. Nosso barco era a "Baleeira 6". Depois é que vieram os out-riggers. E o primeiro que o Remo possuiu foi um a dois que ofertei ao clube ao qual foi dado o nome de "Marieta". Tivemos também, a essa altura, nossa primeira iole a quatro, que também ofertei.

MEDALHA "A PROVÍNCIA DO PARÁ"

O fundador número um do Remo manda abrir um cofre e tira de dentro uma grande medalha de ouro. E disse: 

– Olhe aqui. Naquele tempo, conquistei essa medalha, numa prova que teve o nome de "A PROVÍNCIA DO PARÁ", como homenagem a êsse grande jornal, então na primeira fase de sua vida, nos tempos do velho Lemos. Aqui está gravado, na medalha, nas mesmas letras góticas, o nome do jornal.

O Grupo do Remo foi aumentando, tomando foros de um verdadeiro clube e se fez, assim, o primeiro Estatuto, ganhando todos que o assinaram o título de fundadores. Lá estão êsses nomes na ordem: José Henrique Danin, Raul Engelhard, Roberto de Figueiredo, Antonio de La-Rocque Andrade, Victor Engelhard, Raimundo Oliveira da Paz, Antonio Borges, Arnaldo Rebelo de Andrade, Manuel C. Pereira de Sousa, Ernestino Almeida, Alfredo Vale, José D. Gomes de Castro, José Maria Pinheiro, Luiz Rebelo de Andrade, Manuel José Tavares, Basílio Pais, Palmério Teixeira Pinto, Eurico Pacheco Borges, Narciso Borges e dr. Heliodoro Brito.

Eugênio Soares, Vasco Abreu, Cruz, Marechal, nesse instante estavam ausentes e, por isso, não assinaram, o Estatuto. Mas, são fundadores igualmente, ou melhor, foram fundadores.

FUTEBOL EM BATISTA CAMPOS

A primeira reunião se efetuou em uma casa no velho Largo da Pólvora, que o fundador número um já nem recorda onde era, se é que ela não desapareceu, mesmo. E conta, então, que o futebol começou com uns chutes na praça Batista Campos, para daí sair para o Largo de São Braz, com os primeiros jogos oficiais e os primeiros campeonatos.

A natação se fazia, como o water-polo, na Guajará, onde, também, Augusto Lobato dava os primeiros passos. No water-polo, lá estava o Lobato, o alemão Walman, Macambira, Bibi Bolonha e uns poucos mais.

E o velho Danin segue contando as glórias do Remo. A transformação em Clube do Remo, a velha garage do largo da Sé, a reorganização, um período de desalento com os troféus todos sendo entregues a ele, para guardá-los. E, depois, a instalação na praça da República, a conquista da sede do Esporte Clube, lá em Nazaré, onde está ainda hoje, para concluir: 

– Nunca deixei de acompanhar um só instante a vida do Remo. E quando não mais saí, aqui o meu genro, o coronel Moura, me traz as notícias do que vai ocorrendo por lá. Sempre fiz questão que ele estivesse bem perto do Remo e de sua atividade, para que, assim, eu estivesse perto, também. E, hoje, quando se chega a este cincoentenário, posso dizer que vejo com orgulho e uma alegria que não tem limites a grandeza do nosso clube. Creio nos que tomaram a seus ombros o movimento renovador vitorioso nas últimas eleições. E creio que o Remo crescerá, mais, muito mais. Isso mesmo vou mandar dizer aos remistas de hoje, em mensagem que lhes vou enviar.

Lágrimas escorriam dos olhos do velho esportista, glória dos maiores do esporte paraense. Estava finda a entrevista.

Trecho da matéria sobre a origem do Clube do Remo – A Província do Pará, 5 de fevereiro de 1955.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Um Pequeno Esboço Para o Almanaque do Leão

No dia 09/01/1948, o jornal A Vanguarda publicou uma interessante nota que trazia a seguinte manchete: "A ofensiva do Leão Azul marcou 112 tentos no ano de 47". O intuito da notícia era mostrar que, apesar da perda do título do Campeonato Paraense de 1947 para o maior rival, não haviam motivos para o descontentamento dos torcedores azulinos, já que o balanço naquela temporada foi positivo. 

Para comprovar esse ponto de vista, o jornal divulgou os números levantados por um torcedor chamado Antônio Moreira dos Santos que, segundo o periódico, logo após as partidas fazia questão de anotar o placar. Se fosse vitória, as letras eram bonitas e bem explicadas; na derrota, "para que tanta exigência?", dizia o periódico. De acordo com os dados de Antônio, em 1947, o Remo fez 35 jogos entre oficiais e amistosos, tendo vencido 21, empatado oito e derrotado em seis. Anotou impressionantes 112 gols e sofrido apenas 48.

Essa informação mostra que a preocupação de levantar os números relativos ao desempenho futebolístico do Remo já não é de hoje, ainda que institucionalmente isso não ocorra de fato. Mas será que os números de Antônio estariam certos? São confiáveis? A notícia dá mais detalhes do seu levantamento.

A Vanguarda (PA), 09/01/1948

Assim como Antônio fizera há quase 80 anos, eu também me dispus a pesquisar sobre as estatísticas do futebol azulino. Para tanto, tenho que me debruçar a mais de 110 anos de história à procura de fichas técnicas (ou dos dados necessários para para a sua confecção) com o objetivo de, em um futuro próximo, lançar o Almanaque do Clube do Remo.

Aproveitando essa oportunidade, abaixo segue um pequeno esboço da pesquisa, tendo como base o ano de 1947 para fins de comparação, mostrando a metodologia a ser aplicada.

METODOLOGIA:

Para fins desse trabalho, são considerados Jogos Válidos todos aqueles, oficiais ou amistosos, em que o Clube do Remo se fez representado/requisitado pela sua categoria principal, excluindo-se os Jogos Alternativos. Nesse aspecto, incluem-se ainda partidas de tempo reduzido (Torneios Início e Festivais) e jogos decididos em WO.

Entretanto, pela dificuldade de se obter critérios uniformes que englobem os mais de cem anos de futebol azulino, muitas partidas que envolveram o Clube do Remo não serviriam para encorpar as Estatísticas Oficiais para o Almanaque. Portanto, optou-se pela criação de uma outra categorização denominada Jogos Alternativos, os quais possuem sua análise estatística própria e incluem jogos em que não foi possível confirmar a sua realização (exceto jogos oficiais de campeonato), jogos-treinos comprovados, combinados, jogos anulados e outras situações especiais.

Por fim, para um melhor entendimento das informações, algumas observações são importantes: 

1. As Fichas Técnicas foram organizadas da seguinte forma:

- Data.
- Placar.
- Caráter.
- Estádio.
- Público: 
- Renda: 
- Árbitro.
- Auxiliares.
- Escalações.
- Gols.
- Cartões Amarelos.
- Expulsões.

2. Em caso de ausência de alguma dessas informações, a mesma será ocultada, permanecendo nas Fichas Técnicas apenas os dados em que se tenha comprovação por alguma Fonte de Pesquisa.

3. Em jogos realizados no Pará, independente do local específico, o nome do Remo vem antes do Adversário no Placar; em jogos fora, é o inverso. Essa ordem é obedecida nas demais informações presentes nas Fichas Técnicas.

4. Entre as Fontes de Pesquisa, sempre terá preferência as Fontes Primárias, como os Documentos Oficiais das entidades promotoras dos jogos/eventos, seguido pelos Jornais da época, sobretudo dos locais onde ocorreram as partidas. Por fim, mas não menos importante, vem as Fontes Secundárias (Livros, Sites, Colaboradores).

5. Para as informações contidas nas Fichas Técnicas é necessário a sua confirmação/comprovação nas Fontes de Pesquisas. Infelizmente, em alguns casos isso não é possível, pela falta de dados, especialmente em Jornais de tempos mais remotos, que não se preocupavam em divulgar as Fichas Técnicas completas. Isso é particularmente impactante em informações como Escalações e Arbitragem. Nesse contexto, foi convencionado o seguinte:

5.1. Na ausência da divulgação das Escalações completas, foram incluídos nas Fichas Técnicas os nomes dos jogadores que comprovadamente participaram das partidas, a começar pelo goleiro e complementado com os demais jogadores. Na dependência dos nomes faltantes, foram utilizados reticências ao final da Escalação. Se o nome do goleiro não tiver sido identificado, também foram incluídas reticências no começo.

5.2. Se ainda assim, não houve nenhuma citação de jogadores nas Fontes de Pesquisa Primárias após os jogos, foram incluídas as informações prévias aos jogos. Nesse caso, elas serão demarcadas como a letra "p" entre parênteses. O mesmo valerá para a Arbitragem.

6. Quanto aos Gols, sempre que possível, foi especificado o tempo, demarcado com a letra "T" entre parênteses. Nas situações que a letra "T" não estiver presente, o número corresponderá à quantidade de gols feitas naquela partida.

LISTA DE JOGOS VÁLIDOS DO CLUBE DO REMO EM 1947:

1 – 01/01/1947.
REMO 9 X 0 TUNA.
Amistoso – Festival do Transviário-PA.
Gols: Geju (8) e Setenta (contra).

2 – 05/01/1947.
REMO 0 X 0 PAYSANDU.
Amistoso – Taça Joaquim de Souza Souzellas (2º Jogo).
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Árbitro: Jaime Pires Neves.
Remo: Veliz; Isan e Jesus; Modesto, Vicente e Cunha; Dilermando, Geju, Palito, Arquimedes e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aristheu; Bria e Athenágoras; Serra, Manuel Pedro e Pedro; Aracati, Farias, Hélio, Guimarães e Soiá. 

3 – 12/01/1947.
REMO 2 X 0 TUNA.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 7.125,00.
Árbitro: Jaime Pires Neves.
Remo: Veliz; Isan e Jesus; Modesto, Cunha e Vicente; Itaguary (Monard), Arquimedes, Geju, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Bereco e Conde; Biroba, Oliveira e Canóe; Tidoca (Pinheirense), Carapanã, Campos, Teixeirinha e Paulo. 
Gols: Boró (35’/1T e 44’/2T).

4 – 02/02/1947.
REMO 2 X 3 SANTOS-SP.
Amistoso.
Estádio Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 80.000,00. 
Árbitro: Durval Valente (SP).
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Jambo e Vicente (Cunha); Itaguary, Arquimedes (Geju), Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Santos: Osni; Artigas e Expedito; Nenê, Dacunto e Ayala; Zeferino, Leonaldo (Maracaí), Caxambu, Adolfrises (Canhoto) e Ruy. Técnico: Abel Picabéa.
Gols: Caxambu (34’/1T), Dilermando (2’/2T), Adolfrises (3’/2T), Geju (20’/2T) e Ruy (35’/2T).

5 – 09/02/1947.
REMO 5 X 0 SANTA CRUZ-PE.
Amistoso.
Estádio Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 22.190,00.
Árbitro: Ten. Padilha.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Manuel Pedro e Jesus; Itaguary, Dilermando, Palito, Geju e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Santa Cruz-PE: Nico, Pedrinho I, Salvador, Guaberinha, Irineu, Palito, Toinho, Pardi, Elói, Dengoso e Edgard. Técnico: Palmeira.
Gols: Palito (3’/1T, 14’/1T, 33’/1T, 17’/2T e 30’/2T).

6 – 23/02/1947.
REMO 6 X 3 SANTA CRUZ DA PEDREIRA-PA.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Árbitro: Dimas Teles.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Manuel Pedro e Vicente; Itaguary (Vavá), Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Santa Cruz da Pedreira-PA: Duca (Gérson); Confusão e Zé Luiz (Macaco); Mariano, Pelado e Geraldo; Redondo, Mindô, 71, Bolacha e Laércio.
Gols: Dilermando, Boró e Palito (2); Macaco e 71 (2).

7 – 02/03/1947.
GUARANY-BA 2 X 2 REMO 
Amistoso.
Estádio da Graça – Salvador (BA).  
Renda: Cr$ 46.000,00.
Guarany-BA: …Tuta…
Remo: Veliz (Valter), Isan, Modesto, Manuel Pedro, Palito… Técnico: Dimas Teles.
Gols: Palito (1T e 2T) e Tuta (1T e 1T).
Obs.: Antes do jogo foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem a Rubilar.

8 – 05/03/1947.
YPIRANGA-BA 2 X 2 REMO.
Amistoso.
Estádio da Graça – Salvador (BA).
Ypiranga-BA: Heider; Lourinho e Gregório; Jonga, Aluízio (Prazeres) e Raimundo; Cacuá, Tuta, Passarinho (Pequeno), Estanislau e Picolé. Técnico: Dimas Teles.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Manuel Pedro e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró.
Gols: Dedé (28’/1T e 2T), Geju (26’/2T) e Dilermando (28’/2T).

9 – 09/03/1947.
BAHIA 2 X 2 REMO. 
Amistoso.
Estádio da Graça – Salvador (BA). 
Renda: Cr$ 70.000,00.
Árbitro: Oswaldo Souza.
Bahia: Leça, Baiano, Arnaldo, Pedrinho I, Pedrinho II, Pereira, Luiz (Ivon), Viana, Zé Hugo, Fernando e Tuca.
Remo: Veliz, Isan, Expedito, Modesto, Manuel Pedro, Vicente, Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Zé Hugo (2); Itaguary (2).

10 – 13/03/1947.
BAHIA 0 X 3 REMO. 
Amistoso.
Estádio da Graça – Salvador (BA).
Renda: Cr$ 70.000,00.
Bahia: Lessa; Baiano e Zé Grillo; Pedrinho I, Pedrinho II e Pereira; Luiz Viana, Viana, Zé Hugo, Fernando e Tuta. Técnico: Dante Bianchi.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Manuel Pedro e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Dilermando (2) e Geju.
Fonte: Ubiratan Brito (BA) e A Vanguarda.

11 – 20/03/1947.
AMÉRICA-PE 1 X 4 REMO.
Amistoso.
Estádio dos Aflitos – Recife (PE). 
Renda: Cr$ 30.700,00.
Árbitro: Argemiro Félix/Sherlock (PE).
America-PE: Leça, Deusdedith (Ivanildo), Lucas (Seixas), Galego, Capuxo, Arnaldo, Zezinho, Julinho (Jarbas), Valdeque, Ivaldir e Oséas. Técnico: Barbosa.
Remo: Veliz, Isan, Expedito, Modesto, Manuel Pedro, Vicente, Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Capi.
Gols: Boró (28’/1T), Geju (32’/1T, 13’/2T e 30’/2T) e Jarbas (9’/2T).

12 – 23/03/1947.
SPORT-PE 2 X 0 REMO.
Amistoso.
Estádio Ilha do Retiro – Recife (PE).
Renda: Cr$ 34.000,00.
Árbitro: Leon Markman (PE).
Sport-PE: Manuelzinho, Chicão, Zago, Vavá, Alheiros, Arnaldo, Zildo, Carmelo, Amorim, Nelsinho (Paulo, depois Luís) e Rui. Técnico: Munt.
Remo: Veliz, Isan, Expedito, Modesto (Jesus), Manuel Pedro, Vicente, Itaguary, Dilermando, Palito, Geju e Boró. Técnico: Capi.
Gols: Rui (24’/2T) e Carmelo (43’/2T).

13 – 27/03/1947.
NÁUTICO-PE 0 X 1 REMO.
Amistoso.
Estádio dos Aflitos – Recife (PE).
Renda: Cr$ 27.400,00.
Árbitro: Argemiro Félix/Sherlock (PE).
Náutico-PE: Zeca, Ivanildo, Célio, Pitota, Zé Leão, Sidinho, Zeca II, Idimar (Dega), Tará, Alcidesio e Valfredo. Técnico: Iran Inojosa.
Remo: Veliz, Isan, Expedito, Modesto, Manuel Pedro, Vicente, Itaguary, Dilermando, Palito, Geju e Boró. Técnico: Capi.
Gol: Dilermando (37’/2T).
Obs.: Iran Inojosa substituiu Cabelli interinamente no comando técnico do Náutico.

14 – 30/03/1947.
CEARÁ 2 X 1 REMO.
Amistoso.
Estádio Presidente Vargas – Fortaleza (CE).
Renda: Cr$ 
Árbitro: José Augusto Lopes (CE).
Ceará: Pintado, Valdemar II, Popó, Oséas (Otávio II), Odilon (Andrade), Pereira, Balinha (Pelado), Defeito, Charutinho, Porunga (Antoninho) e Mitotônio. Técnico: Vitório Teixeira.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Manuel Pedro e Vicente; Itaguary, Geju (Quiba), Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Charutinho (21’/1T e 40’/2T) e Geju (15’/2T).

15 – 04/05/1947.
REMO 1 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA.
Torneio Início 1947.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 43.000,00.
Árbitro: Simão Melul.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Cunha e Vicente; Vavá, Dilermando, Geju, Edmundo e Varela. Técnico: Dimas Teles.
União Sportiva-PA: Lélio; Humberto e Figueira; Paz, Balão e Bernardo; Cotia, Lauro, Diquinho, Acácio e Bibi. 
Gol: Geju.

16 – 04/05/1947.
REMO 1 X 0 TRANSVIÁRIO-PA.
Torneio Início 1947.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 43.000,00.
Árbitro: Cirilo Padilha.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Cunha e Vicente; Vavá, Dilermando, Geju, Edmundo e Varela. Técnico: Dimas Teles.
Transviário-PA: Alkindar; Rodrigues e Toribio; Costinha, Humberto e Macaco; Ismael, Babá, Mariano II, Negrito e Coló.
Gol: Expedito.

17 – 04/05/1947.
REMO 0 X 0 PAYSANDU.
Torneio Início 1947.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 43.000,00.
Árbitro: Danilo Oliveira.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Cunha e Vicente; Vavá, Dilermando, Geju, Edmundo e Varela. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aluísio; Bria e Jesus; Bassú, Adiramar e Pedro; Hosana, Rivas, Hélio, Guimarães e Soiá.
Expulsões: Isan e Modesto.
Obs.: O Remo venceu nos escanteios por 2 a 0.

18 – 04/05/1947.
REMO 0 X 0 TUNA.
Torneio Início 1947.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 43.000,00.
Árbitro: Cirilo Padilha.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Cunha e Vicente; Vavá, Dilermando, Geju, Edmundo e Varela. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Abaeté e Teodoro; Índio, Expedito e Almiro; Lulu, Paulo, Tidoca, Teixeirinha e Raimundinho.
Obs.: A Tuna venceu nos escanteios por 2 a 1.

19 – 11/05/1947.
REMO 4 X 2 PAYSANDU.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 100.000,00.
Árbitro: Argemiro Félix/Sherlock (PE).
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Cunha e Vicente; Itaguary, Geju (Quiba), Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Simeão; Bria e Jesus; Bendelack, Adiramar e Pedro (Bassú); Hosana, Guimarães (Farias), Hélio, Dengoso e Rivas (Soiá).
Gols: Palito (bicicleta – 3’/1T, 14’/2T e 18’/2T), Dengoso (25’/1T e 29’/2T) e Geju (25’/2T). 

20 – 25/05/1947.
REMO 4 X 1 MOTO CLUB-MA.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena – Belém (PA).
Renda: Cr$ 52.000,00.
Árbitro: Cardinho Silva (PA).
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado (Cunha) e Vicente; Itaguary, Geju (Quiba), Palito, Dilermano e Boró.
Moto Club-MA: Rui; Santiago e Carapuça; Sandoval (Galego), Frázio (Rebolo) e Pretinha (Dagmar); Mosquito (Galego), Valentim, Zuza, Pepê e Jaime (Jesus). Técnico: Dimas Teles.
Gols: Palito (29’/1T e 31’/1T), Jaime (4’/2T) e Expedito (penalty – 21’/2T e 35’/2T).
Expulsões: Zuza, Santiago e Rui.
Obs.: O goleiro Rui foi expulso e depois foi preso. O jogo foi suspenso aos 40’/2T, por motivo de fortes chuvas.

21 – 01/06/1947.
REMO WO X TRANSVIÁRIO-PA.
Paraense 1947 – 1º Turno.
Obs.1: O Transviário entregou os pontos do jogo antecipadamente.
Obs.2: Inicialmente, esse jogo estava marcado para dia 01/06, mas o Transviário entregou os pontos e foi jogado o amistoso Remo x Tuna no lugar.

22 – 01/06/1947.
REMO 2 X 1 TUNA.
Amistoso – Torneio Municipal (PA).
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 20.168,00.
Árbitro: Danilo Oliveira.
Remo: Veliz (Valter); Isan e Muniz; Carlos Pereira, Pelado e Vicente; Itaguary, Geju, Palito Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Bereco e Conde; Biroba, Oliveira e Oséas; Carapanã (Raimundinho), Teixeirinha, Tidoca, Andrade e Almiro.
Gols: Itaguary (3’/2T e 42’/2T) e Raimundinho (40’/2T).
Expulsões: Veliz e Boró; Tidoca e Bereco.

23 – 08/06/1947.
REMO 4 X 5 PAYSANDU.
Amistoso – Taça Adriano Borges.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 50.000,00.
Árbitro: Cirilo Padilha.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Quib, Palito, Geju e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aluísio; Bria (Athê) e Jesus; Bendelack, Manuel Pedro e Pedro; Hosana, Aracati (Guimarães, depois Farias), Hélio, Dengoso e Rivas (Soiá).
Gols: Pedro (4’/1T), Rivas (22’/1T), Palito (33’/1T), Hélio (40’/1T), Boró (44’/1T) e Itaguary (11’/2T e 13’/2T), Athê (41’/2T) e Farias (44’/2T).
Expulsões: Itaguary e Dengoso.

24 – 22/06/1947.
REMO 0 X 1 PAYSANDU.
Torneio (PA) – Festival da ACEP.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Árbitro: Danilo de Oliveira.
Remo: …Cunha…
Paysandu: …Taco, Macaco…
Gol: Macaco.
Expulsões: Cunha; Taco.

25 – 06/07/1947.
REMO 5 X 1 TUNA.
Paraense 1947 – 1º Turno.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 20.000,00.
Árbitro: Malcher Filho.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Quiba e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Biroba e Conde; Oséas, Oliveira e Almiro; Badú, Nonato, Coutinho, Teixeirinha e João Magro.
Gols: Teixeirinha (7’/1T), Quiba (39’/1T), Palito (30’/2T e 41’/2T) e Geju (33’/2T e 36’/2T).

26 – 13/07/1947.
REMO 2 X 2 PAYSANDU.
Amistoso – Taça Adriano Borges.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 40.000,00.
Árbitro: Malcher Filho.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto (Cunha), Pelado e Vicente; Itaguary, Quiba, Palito, Dilermando (Geju) e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aloísio; Bria e Jesus (Athê); Bendelack, Manuel Pedro e Adiramar; Hosana, Aracati, Hélio, Dengoso (Guimarães) e Rivas (Soiá).
Gols: Boró (6’/1T), Itaguary (19’/1T), Hosana (18’/2T) e Modesto (contra – 26’/2T).

27 – 20/07/1947.
REMO 3 X 1 PAYSANDU.
Amistoso – Torneio Municipal.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 40.000,00.
Árbitro: Malcher Filho.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado (Cunha) e Vicente (Carlos Pereira); Itaguary, Quiba (Geju), Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aloísio; Bria e Jesus; Bendelack, Manuel Pedro (Adiramar) e Pedro; Hosana, Aracati (Farias), Hélio, Dengoso (Guimarães) e Soiá. Técnico: 
Gols: Dilermando (41’/1T), Boró (7’/2T), Farias (13’/2T) e Palito (18’/2T).
Obs.: O Remo conquistou a Taça Adriano Borges e ganhou mais dois pontos no Torneio Municipal.

28 – 27/07/1947.
REMO 2 X 2 TUNA.
Torneio (PA) – Festival dos Clubes Menores.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 15.000,00.
Árbitro: Abílio Lima.
Remo: Isaac; Isan e Muniz; Édson, Cunha e Carlos Pereira; Itaguary, Carapanã, Geju, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Oséas e Conde; Índio, Nonato e Almiro; Lulu, Raimundinho, Coutinho, Teixeirinha e Paulo.
Gols: Raimundinho, Teixeirinha, Geju, Dilermando.
Obs.: Torneio promovido pelos “clubes menores” da FPD. Pela manhã, venceu o quadro da Aeronáutica, recebendo a Taça Prefeito Municipal de Belém. À tarde, foi formado um combinado com os times da manhã (Aeronáutica, Marinha, Polícia Militar e Exército), que jogou contra o Paysandu e perdeu. Depois, se enfrentaram Remo e Tuna. Quando o jogo já estava na prorrogação, o azulino Isan jogou propositalmente a bola para escanteio, aparentemente por estar desfalcado de vários titulares. A Tuna venceu então nos escanteios por 1 a 0 e foi para a final, ganha pelo Paysandu que recebeu a Taça Governador do Estado.

29 – 03/08/1947.
REMO 7 X 3 JÚLIO CÉSAR-PA.
Paraense 1947 – 1º Turno.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 3.335,00.
Árbitro: Malcher Filho.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Carlos Pereira; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró.  Técnico: Dimas Teles.
Júlio César-PA: Domingos; Cláudio e Vigiense; Amaro, Ofir (Praxedes) e Esmeraldo; Miranda, Pagé, Praxedes, Badú e Coló. Técnico: 
Gols: Geju (15’/1T, 25’/1T e 33’/2T), Palito (18’/1T e 18’/2T), Dilermando (11’/2T), Miranda (20’/2T, 29’/2T e 37’/2T) e Boró (44’/2T).

30 – 10/08/1947.
REMO 1 X 0 MARANHÃO AC.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 40.000,00.
Árbitro: Abílio Lima.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto (Bassú), Pelado e Carlos Pereira; Itaguary (Vavá), Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Maranhão AC: Walter; Erasmo e Cosmo; Mercí, Castelar e Arel; Alberto (Celso), Inaldo, Moura (Toinho), Coelho e Manuelzinho. Técnico: Valdemar Almeida.
Gol: Itaguary (34’/1T).

31 – 15/08/1947.
REMO 3 X 1 PAYSANDU.
Amistoso – Festival do Remo.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 40.000,00.
Árbitro: Abílio Lima.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aloísio; Biroba e Athê; Bendelack (Adir/Adiramar), Manuel Pedro e Pedro; Hosana, Aracati, Hélio (Dengoso), Guimarães e Farias (Zeca). Técnico: Alfredo Gama.
Gols: Geju (14’/1T), Dengoso (11’/2T), Dilermando (14’/2T) e Itaguary (37’/2T).

32 – 24/08/1947.
REMO 4 X 2 TUNA.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 25.000,00.
Árbitro: Cirilo Padilha.
Remo: Veliz; Isan e Muniz; Modesto (Bassú), Pelado (Tião) e Carlos Pereira (Vicente); Itaguary, Quiba, Geju (Palito), Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Bereco e Conde; Oséas (Índio), Nonato e Damasceno; Lulu (Raimundinho), Nequinha, Tidoca, Teixeirinha e Almiro. Técnico: 
Gols: Geju (10’/1T e 15’/1T), Almiro (7’/2T), Tidoca (23’/2T), Palito (37’/2T) e Boró (40’/2T).
Expulsão: Nequinha.
Obs.1: Como forma de homenagem por parte do Remo, o Prefeito Rodolfo Chermont apitou os cinco primeiros minutos de jogo, tendo como bandeirinhas os presidentes azulinos e cruzmaltinos, Nestor Bastos e Valdemar Ribeiro, respectivamente. Depois, Chermont entregou o apito à Padilha.

33 – 07/09/1947.
REMO 0 X 1 PAYSANDU.
Amistoso – Festival do Paysandu.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 35.000,00.
Árbitro: Argemiro Félix/Sherlock (FPD-PE).
Remo: Veliz (Isaac); Isan e Expedito; Bassú, Tião (Pelado) e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aloísio; Biroba e Jesus; Pedro, Manuel Pedro e Adiramar (Taco, depois Bendelack); Hosana, Farias, Hélio, Guimarães e Rivas (Aracati). Técnico: Alfredo Gama.
Gol: Hosana (8’/2T).
Expulsões: Veliz; Aracati e Hélio.

34 – 14/09/1947.
REMO 1 X 1 PAYSANDU.
Paraense 1947 – 1º Turno.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 50.000,00.
Árbitro: Argemiro Félix/Sherlock (FPD-PE).
Remo (p): Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu (p): Aloísio; Bendelack e Jesus; Pedro, Adiramar e Taco; Hosana, Farias, Hélio, Guimarães e Rivas. Técnico: Alfredo Gama.
Gols: Dilermando (16’/2T) e Adiramar (44’/2T).

35 – 28/09/1947.
REMO 2 X 0 TUNA.
Amistoso.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 8.576,00.
Árbitro: Ten. Moisés Ferreira.
Remo: Veliz; Isan e Muniz (Expedito); Modesto, Pelado e Vicente (Carlos Pereira); Palito, Tião, Geju (Wilson de Morais), Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó (Picolé); Bereco e Conde; Índio, Nonato e Damasceno; Sátiro (Raimundinho), Nequinha, Tidoca, Teixeirinha e Almiro. Técnico: 
Gols: Palito (27’/1T) e Boró (21’/2T).
Expulsão: Damasceno.

36 – 26/10/1947.
REMO 10 X 2 TRANSVIÁRIO-PA.
Paraense 1947 – 2º Turno.
Estádio Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 2.000,00.
Árbitro (p): Simão Melul.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Tião, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Transviário-PA: Dico; Rodrigo e 101; Humberto, Areias e Mariano; Tatá, Pinheirense, Jorge, Bola Sete e Negrito.
Gols: Palito (9’/1T e 30’/2T), Tatá (17’/1T), Expedito (22’/1T), Dilermando (37’/1T e 22’/2T), Pelado (contra – 39’/1T), Itaguary (44’/1T e 28’/2T) e Tião (8’/2T, 11’/2T e 29’/2T).

37 – 16/11/1947.
REMO 1 X 1 TUNA.
Paraense 1947 – 2º Turno.
Estádio da Curuzu.
Renda: Cr$ 30.000,00.
Árbitro: Pedro Silva/Doca.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Carlos Pereira; Itaguary, Tião, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Tuna: Dodó; Bereco e Conde; Damasceno, Nonato e Oséas; Raimundinho, Nequinha, Tidoca, Teixeirinha e Almiro.
Gol: Itaguary (2’/2T) e Raimundinho (11’/2T).

38 – 27/11/1947. 
TIJUCA-AM 0 X 2 REMO. 
Amistoso.
Estádio Parque Amazonense – Manaus (AM). 
Renda: Cr$ 30.000,00. 
Árbitro: Pedro Sena de Andrade. 
Tijuca-AM: Limongi; Darci e Carioca; Dog, Giota e Aurco; Cabral, Paulo, Jessé (Linhares), Mário Orofino (Haroldo) e Pedrinho.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente (Cunha); Itaguary, Palito (Geju), Dilermando, Tião e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Palito (35’/1T) e Dilermando (2T). 
Obs.: O Remo recebeu a Taça Branca de Neve.
Fonte: Jornal do Comércio (AM).

39 – 30/11/1947. 
OLÍMPICO-AM 2 X 2 REMO.
Amistoso. 
Estádio Parque Amazonense – Manaus (AM). 
Árbitro: Pedro Sena de Andrade. 
Olímpico-AM: Téo; Aurélio e Caçador; Gato, Gatinho e Dog; Tuta, Silvio, Zé Luiz, Juvenil e Marcílio (Marlo Matos).
Remo: Isaac; Isan e Expedito; Modesto (Bassú), Pelado e Vicente;  Itaguary, Tião, Geju, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Tuta (20’/1T), Sílvio (36’/1T) e Itaguary (39’/1T e 2T). 
Expulsão: Tuta.
Obs.: O Remo conquistou a Taça Ganso Azul.

40 – 04/12/1947. 
FAST-AM 2 X 7 REMO. 
Amistoso. Estádio 
Estádio Parque Amazonense – Manaus (AM). 
Renda: Cr$ 20.000,00. 
Árbitro: Waldir Martins da Silva. 
Auxiliares: Pedro Barbosa e Lourival Xavier.
Fast-AM: Limonge; Darcy e Aurélio; Waldemir, Major (Gioia) e Dedé; Fernandinho, Raspada, Paulo, Juvenil (Lafaiete) e Carlito (Zequinha).
Remo: Veliz; Isan e Expedito (Muniz); Modesto (Bassú), Tião (Pelado) e Cunha; Itaguary, Quiba, Geju, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Gols: Dilermando (1T), Geju (25’/1T e 25’/2T), Raspada (33’/1T), Quiba (13’/2T), Itaguary (30’/2T e 43’/2T), Paulo (42’/2T) e Cunha (2T).

41 – 07/12/1947.
NACIONAL-AM 0 X 1 REMO.
Amistoso.
Estádio Parque Amazonense – Manaus (AM).
Renda: Cr$ 50.000,00.
Árbitro (p): Valdir Martins da Silva.
Auxiliares (p): Cleter da Gama Rodrigues e José Pereira Serra.
Nacional-AM: Mota; Darci e Vicente (Caçador); Mariosinho, Caveira e Amaro; Oliveira, Paulo Oneti, Marcos (Ariósto, depois Júlio), Raspada e Enéas (Elizeu).
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Vicente, Tião e Modesto; Itaguary, Dilermando, Palito, Geju e Boró (Quiba). Técnico: Dimas Teles.
Gol: Geju (22’/1T).

42 – 21/12/1947.
REMO 0 X 2 PAYSANDU.
Paraense 1947 – 2º Turno.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Renda: Cr$ 80.000,00.
Árbitro: Pedro Silva.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Geju, Palito, Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paysandu: Aloísio; Bendelack e Bria; Pedro, Manuel Pedro e Taco; Hosana, Dengoso, Hélio, Guimarães e Soiá.
Gols: Dengoso (35’/2T) e Hélio (40’/2T).
Expulsões: Isan e Modesto.
Obs.: No segundo tempo, o árbitro Pedro Silva marcou falta a favor do Paysandu e expulsou Modesto. Isan foi reclamar e também foi expulso. Diante disso, Dimas Teles ordenou a retirada do time azulino de campo. Pedro Silva ordenou que o time bicolor permanecesse em campo para o cumprimento do tempo regulamentar e autorizou a cobrança de falta. Bria a cobrou e Hélio finalizou de calcanhar para dentro das redes remistas. O Paysandu sagrou-se Pentacampeão Paraense.

Estatísticas de Jogos Válidos: 

- Jogos: 42.
- Vitórias: 24.
- Empates: 11.
- Derrotas: 7.
- Gols Pró: 108.
- Gols Contra: 50.
- Saldo: +58.

LISTA DE JOGOS ALTERNATIVOS DO CLUBE DO REMO EM 1947:

1 – 03/10/1947.
REMO 6 X 1 PAULISTA-PA.
Jogo-treino.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Remo: Veliz; Isan e Muniz; Modesto, Pelado e Bassú; Itaguary, Tião, Geju, Quiba e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paulista-PA: Cruz (Pororoca); Mário e Cássio; Bebé, Tobias e Nilo; Mini, Smith, Alberto, Nestor e Álvaro.
Gols: Geju (2), Itaguary, Tião e Boró; Álvaro.

2 – 16/10/1947. 
REMO 4 X 4 PAULISTA-PA.
Jogo-treino.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Remo: Veliz; Isan e Muniz; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Tião (Quiba), Palito (Geju), Dilermando e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paulista-PA: Cruz; Mário e Cássio; Miro, Tobias e Bebé; Egerton Smith, Alberto, Nestor e Álvaro.
Gols: Itaguary, Nestor, Dilermando, Alberto (2), Tião, Egerton e Geju. 

3 – 23/10/1947.
REMO 5 X 1 PAULISTA-PA.
Jogo-treino.
Estádio da Antônio Baena/Baenão.
Remo: Veliz; Isan e Expedito; Modesto, Pelado e Vicente; Itaguary, Tião, Palito, Quiba e Boró. Técnico: Dimas Teles.
Paulista-PA: Cruz; Mário e Cássio; Miro, Tobias e Bebé; Álvaro, Nestor, Alberto, Smith e Egerton.
Gols: Tobias (contra), Palito (2), Tião e Itaguary; Alberto.

Estatísticas de Jogos Alternativos: 
- Jogos: 3.
- Vitórias: 2.
- Empates: 1.
- Derrotas: 0.
- Gols Pró: 15.
- Gols Contra: 6.
- Saldo: +9.

CONCLUSÃO

Os números desse trabalho diferem dos relatados por Antônio Moreira dos Santos há quase 80 anos. Quais seriam os certos? Os meus ou os de um pesquisador da época, que viveu aquele período? A resposta para essa pergunta é complexa, pois não existe trabalho certo ou errado, mas sim condizente com a metodologia de pesquisa aplicada. Nesse ponto, fiz questão de esclarecer as especificações do meu trabalho para uma melhor análise, sempre pautado em fontes confiáveis, sejam elas primárias ou secundárias, que corroboram para uma maior veracidade das informações.

É assim que, se Deus permitir, pretendo desvendar toda a história do futebol azulino!

FONTES: 
- Jornais: O Liberal (PA), A Vanguarda (PA), A Província do Pará, Diário de Pernambuco e Jornal do Comércio (AM).
- Livros: História do Clube do Remo (Ernesto Cruz, 1969) e Re-Pa – O Clássico mais importante do futebol brasileiro (Ferreira da Costa, 2021).
- Sites: Biblioteca Nacional Digital e Acervo do Santos.
- Colaboradores: Jorginho Neves (PA), Ubiratan Brito (BA), Eugenio Fernandes (CE) e Hugo Saraiva (MA).

domingo, 29 de outubro de 2023

O Primeiro Jogo Internacional

O PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL DO LEÃO FOI CONSEQUÊNCIA DOS DESDOBRAMENTOS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Desde 1913, quando começou a jogar futebol, o Remo já realizou milhares de jogos e, dentre eles, estão dezenas de caráter internacional. Nesse aspecto, destacam-se partidas contra alguns grandes times do futebol sulamericano e europeu e até selecionados de outros países. Porém, a primeira vez que o Leão enfrentou uma equipe estrangeira não foi diante de um time de futebol propriamente dito, mas sim de um navio! Essa história envolve até nuances da Primeira Guerra Mundial...

Os conflitos da Primeira Guerra (1914-18) ocorreram na Europa, envolvendo os Aliados — encabeçados pelo Império Britânico e França — e os Impérios Centrais — liderados por Alemanha e Áustria-Hungria. Mas as suas repercussões foram sentidas no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Exemplos disso foram os atos de guerra que levaram ao naufrágio de vários navios na costa brasileira durante aquele período — mais de uma dezena! Um deles era o paquete inglês Van Dyck.

Estado do Pará, 03/11/1914

Construído em 1911, o Van Dyck foi interceptado em 22/10/1914 pelo cruzador alemão Karlsruhe, próximo a Macapá (AP), quando fazia uma travessia de Buenos Aires (ARG) para Nova York (EUA). As mais de 200 pessoas que estavam à bordo do navio — a maioria ingleses e argentinos — foram realocadas para o navio Asuncion, que havia sido capturado um tempo antes, e transportadas para Belém. Dentre elas, estava o Sr. Sidney King.

A Noite (RJ), 03/11/1914

King foi responsável por organizar combinado de jogadores do Van Dyck — algo relativamente comum na época, já que o futebol era tratado como uma espécie de lazer entre os funcionários do navio. Ainda assim, por terem origem inglesa, eram naturalmente mais habituados à prática do futebol, sendo portanto um time forte. Tanto é que, segundo o Estado do Pará, de 08/11/1914, eles haviam obtido várias vitórias em Buenos Aires (ARG).

O mesmo jornal anunciou um match-desafio do combinado contra a Seleção Paraense, mas não se sabe se o mesmo foi realizado. Comprovado mesmo foi o jogo contra o Clube do Remo, disputado no dia 10/11/1914, no estádio da firma Ferreira & Comandita (atual Curuzu). Assim, em uma seleta tarde festiva, o campeão paraense deu combate ao time dos ingleses. As escalações eram as seguintes:

• Remo: Bernardino; Infante e Lulu (capitão); Carlito, Macedo e Nahon; Ludgards, Galdino, Antonico, Rubilar e Dudu Silva.

• Van Dyck: James; Ramsey e Backles; King; Donel; Jansen, Hofferman; Gilwary, Cox e Woliman (capitão). 

Estado do Pará, 10/11/1914

No decorrer da partida, os ingleses — mais habituados com o futebol — começaram atacando, mas encontraram um bom sistema defensivo azulino. Porém, em um desses ataques, o Van Dyck chegou ao seu gol através de um pênalti convertido pelo próprio Sr. King. Entretanto, os azulinos foram valentes e conseguiram o empate através de Galdino ainda no primeiro tempo e só não venceram porque o gol de Rubilar, no segundo, foi anulado pelo juiz Armando Lima. No final, valeu o honroso empate de 1 a 1 diante dos "inventores" do futebol.

Estado do Pará, 12/11/1914

Assim se deu a primeira partida internacional do Clube do Remo. 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A Taça Pará-Rio-São Paulo e a Embrionária Idéia do Campeonato Brasileiro

No final de 1915, Belém vivenciava a proximidade dos festejos dos seus 300 anos — a serem comemorados em 12/01/1916 —, fato que também atingiria o âmbito esportivo. Em suas edições de 28 e 29/11/1915, o jornal Estado do Pará transcreveu matérias passadas dos periódicos cariocas A Noite e A Rua, provavelmente do início do mês de novembro daquele ano, que tratavam sobre o "Festival Pará", uma espécie de evento comemorativo ao tricentenário da capital paraense organizado por membros da bancada paraense do Parlamento Nacional, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 16/11/1915.

Estado do Pará, 28/11/1915

Estado do Pará, 29/11/1915

Dentro das matérias estava a mensagem do sportman Ulysses Reymar, de 25/10/1915, direcionada às bancadas carioca e paulista para que prestigiassem o "Festival Pará". O objetivo era angariar recursos para a criação da Taça Pará-Rio-São Paulo, um "prêmio de honra" que, segundo Reymar, "congraçará, em primeira mão, o norte, o centro, e o sul do Brasil, levando ao triumpho a bandeira envolvente da nossa tão desejada unificação dos sports". Para tanto, estariam presentes representantes de importantes instituições esportivas, como a Liga Paraense de Foot-Ball, a Liga Metropolitana de Sports Athleticos (RJ), a Associação Paulista de Sports Athleticos, a Federação Brasileira das Sociedades de Remo, e grandes clubes, como o Fluminense, o Flamengo, o Vasco, entre outros.

Infelizmente, apesar de toda essa movimentação, a Taça Pará-Rio-São Paulo jamais saiu do papel. Segundo o Estado do Pará, de 30/11/1915, o grande motivo para isso foi a então recente vitória dos paulistas sobre os cariocas por 8 a 0, em 07/11/1915, na decisão da Taça Rio-São Paulo, o que estremeceu as relações entre ambos. E como a disputa da Taça Pará-Rio-São Paulo exigia uma partida "preliminar" entre Rio de Janeiro e São Paulo — cujo campeão enfrentaria o Pará na "final" —, essa situação foi crucial para a não realização da disputa.

Estado do Pará, 30/11/1915

Em compensação, entre final de 1915 e início de 1916, o Flamengo-RJ — então bicampeão carioca — esteve no Pará, representando o seu estado, para a disputa de uma sequência de amistosos, contra a Seleção Paraense, Remo e Paysandu — foi nessa ocasião, inclusive, que se deu o primeiro jogo interestadual da história do futebol azulino. No final da série, valendo a Taça Tricentenário de Belém — "substituta" da Taça Pará-Rio-São Paulo —, a valente Seleção Paraense assegurou a sua posse graças ao empate sem gols diante dos cariocas, mostrando como o futebol paraense poderia se equiparar ao eixo.

Pode parecer pretensioso, mas, tomando como base as palavras de Ulysses Reymar, a Taça Pará-Rio-São Paulo/Tricentenário de Belém, pela sua ideia de "congregação inter-regional", apresentava características de um embrionário Campeonato Brasileiro. Isso vai ao encontro à matéria "O grande campeonato Brasileiro de Foot-Ball", da revista Vida Sportiva, de 11/05/1918, assinada por A. Santos, que discorre sobre o crescimento do futebol nos estados do Norte-Nordeste — em especial no Pará, seguido por Pernambuco —, o que subsidiaria a disputa de uma competição com os estados do Sul-Sudeste para se definir o campeão do Brasil. Em outra edição, a Vida Sportiva em matéria intitulada "Qual é o Club Campeão do Brasil?", aborda até um modelo de campeonato regionalizado entre os clubes campeões do "Norte" e os campeões do "Sul".

Vida Sportiva, 11/05/1918

Vida Sportiva, 22/02/1919

Um adendo deve ser feito quanto às nomenclaturas regionais. O "Norte", na verdade, diz respeito aos estados do Norte-Nordeste, enquanto que o "Sul" ao Sul-Sudeste. Essa visão dicotômica dividia o mapa futebolístico brasileiro nesses dois grandes eixos e se perpetuaria por décadas à frente.

Outro ponto interessante que merece destaque é que ambos os documentos dão merecido destaque ao Clube do Remo. A hegemonia estadual desde 1913 e o cartaz de "campeão do Norte" desde 1917, o colocavam como a maior força setentrional do país.

Todavia, mais uma vez, nenhuma dessas discussões foi colocada em prática. Provavelmente, isso se deve pelo ideal de superioridade que os centros do "Sul" tinham em relação aos do "Norte", o que reflete-se no desinteresse em realizar um Campeonato Brasileiro de fato. Uma prova disso se deu quando o Paulistano-SP venceu o Torneio dos Campeões Estaduais de 1920, organizado pela Federação Brasileira de Sports — FBS —, sobre Fluminense-RJ e Brasil de Pelotas-RS.

O time paulista foi tratado como "campeão brasileiro", mas isso não foi unanimidade. O jornal Correio da Manhã (RJ), de 30/03/1920, divulgou uma carta de um leitor que assinava como Out-Side, criticando essa competição como representativa de um Campeonato Brasileiro por excluir injustamente os representantes do Norte, novamente destacando os estados de Pará e Pernambuco — fazendo referência inclusive à disputa da Taça Tricentenário de Belém de 1915 —, claramente superiores ao futebol gaúcho — representado no torneio pelo Brasil de Pelotas — naquela época.

Recorte do Correio da Manhã (RJ), 30/03/1920

Essa visão, de certa forma "egocêntrica" do "Sul", impediu uma precoce integração do futebol brasileiro. Somente com as pioneiras conquistas de Atlético-MG e Bahia, vencedores do Torneio dos Campeões de 1937 e da Taça Brasil de 1959, é que se daria conta que o futebol brasileiro não se restringia apenas a Rio de Janeiro e São Paulo. Quem sabe se esse panorama tivesse mudado antes, lá nos primórdios, quando o futebol paraense era uma potência, a hierarquia nacional não tivesse outra configuração?

FONTES:

- Jornal Estado do Pará, 28, 29 e 30/11/1915.
- Jornal Correio da Manhã (RJ), 30/03/1920.
- Revista Vida Sportiva (RJ), 11/05/1918 e 22/02/1919.