sexta-feira, 6 de março de 2026
Evolução Histórica da Liderança do Clássico Re-Pa
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Retrospecto – Re-Pa (Estatísticas Gerais)
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
O Tabu
sábado, 18 de junho de 2022
Campeão do Norte em 1968
No final dos anos 60 o futebol brasileiro passou por profundas mudanças. A Taça Brasil, o "Campeonato Brasileiro" da época, já não atraía mais as atenções dos principais clubes do país, devido às suas fases regionalizadas — o que reduzia os jogos entre os times ditos “grandes”. Como consequência, em 1967 as federações carioca e paulista resolveram ampliar o Torneio Rio-São Paulo com o ingresso de times de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Assim, foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa — nome oficial da competição inter-regional predecessora.
Em 1968, a Confederação Brasileira de Desportos — CBD — assumiu a organização do "Robertão" — como era popularmente conhecido —, que, por força política, incluiu a participação de um time pernambucano e um baiano passou a se chamar Taça de Prata. Até esse momento, o torneio era disputado em paralelo à Taça Brasil, mas, com a extinção desta em 1968 por puro desinteresse, o "Robertão"/Taça de Prata se tornou o único "nacional" do país.
Esse cartaz que a Taça de Prata carregava era meramente simbólico, visto que a competição era monopolizado pelos times do eixo Sul-Sudeste — mesmo com a participação de alguns poucos nordestinos, casos de Bahia, Náutico-PE e Santa Cruz-PE. Entretanto, a grande maioria dos times brasileiros não foi contemplada nesse seleto grupo. Para resolver essa situação, a CBD criou competições inter-regionais: os Torneios Norte-Nordeste e Centro-Sul.
Este último não teve muito sucesso, sendo finalizado uma única vez, em 1968, vencido pelo Grêmio Maringá-PR. Mas o mesmo não se pode dizer do Norte-Nordeste. Frequentemente apelidado de "Nordestão", o Torneio Norte-Nordeste perdurou até 1970. Em sua essência, era composto por duas disputas independentes: os Torneios do Norte e do Nordeste, reunindo os principais representantes de cada região.
Com algumas variações nas suas fórmulas, os campeões de cada torneio fariam a final inter-regional. Mas, no caso da parte Norte, havia um porém: apenas o Pará e o Amazonas eram profissionalizados. A solução foi incluir os estados do "Meio-Norte": Piauí e Maranhão.
Outro imbróglio se deu quanto a escolha dos participantes paraenses. Inicialmente, a CBD decidiu que apenas Bahia e Pernambuco teriam três representantes no "Nordestão", enquanto que os outros estados, incluindo o Pará, teriam duas vagas. Portanto, Remo, Paysandu e Tuna tomaram parte de um triangular classificatório para o Torneio do Norte. Porém, através da Federação Paraense de Desportos — FPD — o "Trio de Ferro" não aceitaram tal situação, exigindo as mesmas três vagas de pernambucanos e baianos, alegando que seus times eram potenciais fontes de renda.
Enquanto esse impasse permanecia sem resolução, o torneio seletivo transcorria. Primeira colocada, a Tuna classificou-se com antecedência. Remo e Paysandu iriam decidir a segunda vaga paraense em clássico no Baenão, na noite de 02/10/1968. A partida era muito aguardada pelas torcidas, pois, além da classificação, ainda resultaria na eliminação do rival. Mas não foi o que aconteceu. Segundo O Liberal do dia seguinte, à tarde, antes do jogo, chegou a notícia de que a CBD acatou o pedido do "Trio de Ferro", garantindo-os no "Nordestão". Diante disso, o Re-Pa, que prometia ser cercado de emoções, não passou de um jogo de compadres: 1 a 1, que não valeu apenas a disposição dos grupos — o Paysandu, segundo colocado do torneio ficou no grupo 1 e o Remo, terceiro, no 2.
Dessa forma, o Torneio do Norte de 1968 foi montado da seguinte maneira:
• Grupo 1: Paysandu, Tuna, Nacional-AM e Fast-AM;
• Grupo 2: Remo, Ferroviário-MA, Moto Club-MA, Flamengo-PI e Piauí.
Após uma pequena inter-temporada preparatória em Santarém, o Leão voltou as suas atenções para o regional. Único nortista de fato no seu grupo, o Remo se aproveitou do “fator casa” para conseguir seus resultados. Foi assim que emplacou três vitórias seguidas: 1 a 0 no Piauí, 1 a 0 no Moto e 4 a 0 no Flamengo. Todavia, no primeiro jogo longe dos seus domínios, perdeu para o Ferroviário por 2 a 1, no Maranhão, empatando em 1 a 1 na virada do turno, no Baenão. Em seguida, perdeu para o Piauí por 2 a 1, fora, em 07/11, em jogo marcado por agressões aos jogadores azulinos, especialmente à Jorge Mendonça. Esse fato provocou a suspensão do torneio, temporariamente.
Cerca de um mês depois, em 12/12/1968, a competição retornou. Nesse dia, o Leão voltou a golear impiedosamente o Flamengo, dessa vez por 6 a 1. Esse jogo foi disputado no Baenão devido aos acontecimentos da partida anterior, em acordo firmado entre Remo, Flamengo e CBD. Por fim, o Mais Querido finalizou a sua participação nessa fase inicial empatando em 2 a 2 com o Moto Club, em São Luís (MA), no dia 15/12. Os azulinos encerraram a sua participação nessa primeira etapa com 10 pontos, dois atrás do Piauí.
Nas semifinais, o Remo teve pela frente o Nacional do Amazonas. No confronto de leões, prevaleceu o paraense. Entretanto, no primeiro jogo, já em 19/01/1969, quem venceu foi o Nacional por 3 a 1, em Manaus. Na volta, dia 26, o Remo se recuperou, aplicando 3 a 0. forçando uma partida de desempate — a chamada "negra". Esta foi disputada novamente no Baenão, dois dias depois, com novo triunfo azulino, agora por 2 a 0, classificando-se para a final do torneio.
Na grande decisão, o Remo enfrentaria mais uma vez o Piauí, que eliminou o Paysandu sem maiores dificuldades, com duas vitórias. O adversário era complicado. O Piauí vivenciava o melhor período de sua história, quando foi tetracampeão estadual entre 1966 e 1969. Além disso, o "Enxuga Rato", como era conhecido, em referência à uma música da época, tinha como principal jogador o atacante Sima, o maior artilheiro nordestino de todos os tempos, com mais de 500 gols marcados. Mas o Leão era o atual campeão paraense invicto e lutaria para defender a honra do principal estado da região.
O primeiro embate ocorreu em 09/02/1969, em Teresina (PI). Irreconhecível, o Remo sucumbiu, perdendo por 5 a 1. Mas o Clube de Periça soube se reerguer e, na volta, em 12/02, no Baenão, se vingou com outra goleada, esta por 4 a 1. Destaque para o craque Amoroso, autor de dois gols, um deles de bicicleta. Birungueta e Íris completaram o placar.
Esse contexto forçou mais uma vez a realização de uma partida extra, programada para 48h depois, novamente no Baenão. Os dirigentes piauienses foram contrários, queixando-se de hostilidades da torcida paraense, o que, de fato, não ocorreu. Tanto é que o presidente da Federação Piauiense de Desportos — FPD — negou essa informação e, em acordo com o presidente da Federação Paraense de Desportos, confirmou a "negra". Foi estabelecido ainda que o Piauí teria a vantagem do empate pela somatória dos placares anteriores (6 x 5); ao Remo, apenas a vitória interessava.
Tudo certo. Chega então o grande dia: 14/02/1969. A decisão mexeu com todo o meio esportivo local. A conquista transcendia a individualidade; não pertencia apenas ao Clube do Remo, mas à todo o Pará. Por isso era essencial a união de todas as torcidas nessa batalha final. Isso é ressaltado pelo jornalista Isaac Pais em O Liberal:
"APOIO TOTAL AO CAMPEÃO PARA CONFIRMAR O TÍTULO — (...) há um título em discussão, que será tanto do Clube do Remo como do Pará. Ganhá-lo, será uma honra para todos, sem distinção das côres clubísticas. O campeão paraense precisa hoje do apôio total dos desportistas da terra, para no final da contenda todos possamos gritar: CAMPEÃO DO NORTE!".
A torcida atendeu ao apelo. Os azulinos, em sua maioria, contaram com o suporte de bicolores e tunantes para lotar o Baenão e, mais uma vez, assustar os adversários. A peleja foi uma luta tensa e cheia de emoção, cuja história começou a ser escrita através do gol de Adinamar logo aos três minutos do primeiro tempo. O Piauí empatou com o Sima aos 33'. Mas o iluminado Adinamar, em dia inesquecível, fez o seu segundo gol aos 42'... Um gol olímpico! Estava escrito: "REMO CAMPEÃO DO NORTE DO ‘I NORDESTÃO'", como enfatizou a manchete d'A Província do Pará, de 15/02/1969, para a alegria do povo paraense em plena sexta-feira de Carnaval!
Segue A Província: "'LEÃO AZUL' HONROU TRADIÇÃO DO FUTEBOL PARAENSE ONTEM À NOITE SUPLANTANDO PIAUI E. C. — Num jôgo dramático, cheio de lances eletrizantes, o Clube do Remo conquistou para o Pará o título de campeão do Norte, ao derrotar à noite de ontem no estádio 'Evandro Almeida' pela contagem de dois gols a um a representação do Piauí".
REMO 1 X 0 PIAUÍ EC.
Estádio Evandro Almeida/Baenão.
Gol: Robilotta.
REMO 1 X 0 MOTO CLUB-MA.
Estádio Evandro Almeida/Baenão.
Gol: Amoroso.
REMO 4 X 0 FLAMENGO-PI.
Estádio Evandro Almeida/Baenão.
Gols: Amoroso (3) e Robilotta.
FERROVIÁRIO-MA 2 X 1 REMO.
Estádio Nhozinho Santos – São Luís (MA).
Gol: Robilotta.
30/10/1968.
REMO 1 X 1 FERROVIÁRIO-MA.
Estádio Evandro Almeida/Baenão.
Gols: Amoroso.
* Esse texto é fruto das pesquisas de Adenirson Olivier (Cultura de Remo), Felipy Chaves (Enciclopédia do Leão) e Joaquim Rangel (Azulinos da Cidade).
quarta-feira, 30 de março de 2022
O Clássico Re-Tu na Visão de um Tunante
O Clássico Re-Tu ganhou novos capítulos para a sua rica história com o retorno da Tuna à Primeira Divisão do Campeonato Paraense em 2021. Assim, finalmente pôde ser disputado um clássico oficial após oito anos. E, surpreendentemente, a Lusa conseguiu eliminar o Remo - até então, invicto - nas semifinais, em disputa de pênaltis.
Entretanto, a vingança azulina viria cerca de um ano depois. O enredo era muito parecido. Mais uma vez pelas semifinais, o Remo, que estava invicto, perdeu para a Tuna no Baenão, pelo jogo de volta, revertendo a vitória conquistada no estádio do Souza. Mas na nova disputa de pênaltis - e agora, diante da sua torcida - o Leão Azul venceu por 4 a 2, em mais uma noite histórica de Vinícius, se classificando para a final do Parazão.
Esses fatos reviveram a velha rivalidade, esfriada pelos anos de afastamento da Tuna das grandes competições. Por isso, resolvemos ceder um espaço para entender a importância do clássico sob a ótica de um tunante. O texto a seguir é de autoria de Ítalo Costa, historiador cruzmaltino:
"Escrever sobre o Clássico Re-Tu é uma tarefa interessante. Isso porque, estamos assistindo o ressurgimento de uma rivalidade que, ultimamente, vinha esfriando. De certo, as dificuldades futebolísticas que assombraram (e, em maior ou menor grau, ainda assombram) a vida da Tuna Luso foram as maiores incentivadoras desse afrouxamento na rivalidade mais antiga do esporte no Pará. Foi em 2007 a última final de estadual disputada pelas duas equipes, e foi acirrada.
Em 2021, o jogo empatado em 1x1 pela semifinal do Parazão, que levado aos pênaltis deu vitória à Cruz de Malta de Belém do Pará fez reascender a chama do clássico. Ali, a Tuna voltara a ser uma pedra no sapato dos Azulinos. Nas regatas, no futebol estadual e nacional, anos atrás, isso era comum.
Nas décadas de 1940 e 1950, eram comuns alfinetas entre dirigentes, desportistas e torcedores dos clubes. Sobre isso, relembro um caso interessante: Vencendo o rival por 3x1, disputando a final do Campeonato Paraense de Futebol, a Tuna foi campeã do certame de 1951 (Por atrasos na competição, o jogo final ocorreu em 06/01/1952). Dois dias depois, em 08/01/1952, o jornal Folha Vespertina trouxe o seguinte aviso fúnebre: 'Clube do Remo. Morto a 6 de janeiro de 1952'.
O aviso relacionava-se diretamente com a derrota anterior que deu aos Lusos o troféu de 1951. A notícia incendiou a crônica esportiva, dirigentes e torcedores Azulinos. A delegação Tunante afirmou não ter relação com a publicação que gerou tamanho 'Zum-Zum-Zum', alegando ter partido da torcida tamanha alfinetada. Fato é: Clássico é Clássico, e esse, entre o Leão de Antônio Baena e a Águia do Souza, além de nos render uma grande história, promete voltar a ser um grande encontro".
Agradecemos ao Ítalo Costa por sempre contribuir com o nosso trabalho!
domingo, 13 de fevereiro de 2022
O Clássico Remo x Tuna
Remo x Tuna é considerado o segundo maior clássico paraense em nível de importância, atrás somente do Re-Pa. Conhecido também pela sigla Re-Tu, pode-se dizer que o clássico é o mais antigo do esporte paraense, considerando-se as origens náuticas de ambos os clubes no início do século 20. Enquanto que o Remo surgiu em 1905, a Tuna, apesar de ter sido criada em 1903 como um grupo musical, só instituiu o seu setor de esportes em 1906. Desde então, ambos dominaram o cenário náutico do estado.
Entretanto, o confronto no futebol só aconteceria nos anos 30, quando a Tuna passou a praticar esse esporte de fato. O primeiro jogo se deu no dia 15/11/1931, em jogo válido pelo Campeonato da Liga Esportiva Paraense, que terminou empatado em 0 a 0. O clássico seguinte ocorreu na data de 03/01/1932, pelo Festival do Júlio César e, dessa vez, o Remo não tomou conhecimento da Lusa, vencendo por 4 a 1, no Baenão, gols de Marinheiro, Dino (dois) e Armando.
GOLEADA E RECORDE
No dia 01/01/1947, em pleno 44º aniversário tunante, o Remo goleou a rival por humilhantes 9 a 0, em jogo amistoso válido pelo Festival do clube Transviário. Apesar desse feito, a partida recebeu críticas por parte da imprensa, pois ambos jogaram com equipes essencialmente reservas. Geju, um dos poucos que figuravam no time titular, fez incríveis oito gols, uma façanha que só seria igualada por Bira décadas mais tarde.
DECISÕES
Remo x Tuna já definiu o campeão paraense em 12 oportunidades, incluindo decisões diretas ou não. O Leão Azul saiu campeão em 10 oportunidades (1936, 1953, 1964, 1973, 1974, 1977, 1991, 1996, 2003 e 2007) contra apenas duas da Águia Guerreira (1951 e 1983).
ESTATÍSTICAS
Segundo números atualizados do site Futebol80 e adaptados com pesquisas próprias, estas são as estatísticas gerais de Remo x Tuna:
• Vitórias do Remo: 228.
• Empates: 143.
• Vitórias da Tuna: 146.
• Gols do Remo: 773.
• Gols da Tuna: 610.
REFERÊNCIAS
1. O Festival do Julio Cesar. Estado do Pará, Belém, 4 jan 1932.
2. A Tarde de Ontem Não Teve Expressão Futebolística. Estado do Pará, Belém, 3 jan 1947.
3. COSTA, Ferreira da. Parazão Centenário — A História do Campeonato Paraense de Futebol. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, 2012.
4. CONFRONTOS. Futebol80. Disponível em: <http://futebol80.com.br/links/times/remo/remocft.htm/>. Acesso em: 17 fev 2022.







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