sábado, 25 de março de 2023

Taça Arthur Bernardes de 1925

No dia 29/03/1925 o Remo recebeu a Taça Arthur Bernardes pelas vitórias no Festival em prol das vítimas da tragédia do Caju (Guanabara), realizado no Baenão e com patrocínio do Governo do Estado.

JOGOS:

• Remo 3 x 0 Guarany-PA.

• Remo 1 x 0 Paysandu.

"Folha do Norte", 30/03/1925

segunda-feira, 20 de março de 2023

Taça Palace Clube de 1926

Taça ofertada ao Clube do Remo em 06/06/1926 após a vitória de 3 a 2 sobre o União Sportiva, no Baenão, pelo Festival da Associação dos Cronistas Esportivos do Pará - ACEP, no Baenão.

"Estado do Pará", 07/06/1926

domingo, 19 de março de 2023

Títulos no Futebol

Troféus do Torneio Internacional de Caracas e do Brasileiro Série C, dois dos principais títulos do Clube do Remo

Esse artigo pretende listar todas as conquistas do Clube do Remo no futebol, oficiais ou amistosas. Para isso, foram utilizadas como fontes primárias de pesquisa os livros História do Clube do Remo, de Ernesto Cruz (1969) e Re-Pa – O Clássico Mais Importante do Futebol Brasileiro, de Ferreira da Costa" (2021). Além dessas fontes, algumas conquistas listadas são frutos de pesquisa própria referente ao levantamento de todos os jogos do Clube do Remo em toda a sua história, que ainda se encontra em andamento. Portanto, essa lista não é definitiva e deve sofrer mudanças com o passar do tempo.

Entre os seus principais títulos, o Clube do Remo ostenta um nacional, dois inter-regionais, três regionais e 49 estaduais, totalizando 55 conquistas. Ampliando-se o escopo para as demais disputas oficiais ou amistosas, são mais de 180 títulos.

FUTEBOL PROFISSIONAL

NACIONAL

• Campeonato Brasileiro Série C: 2005.

INTER-REGIONAIS

• Campeonato Norte-Nordeste: 1971.

• Copa Verde: 2021.

Troféus entregues após o título da Copa Verde 2021

REGIONAIS

• Torneio do Norte: 1968 e 1969. 

• Campeonato do Norte: 1971.

Representação da Taça e das Faixas de "1° Campeão Nacional Norte-Nordeste" e "Bicampeão do Norte"

ESTADUAIS

• Campeonato Paraense: 1913, 1914, 1915, 1916, 1917, 1918, 1919, 1924, 1925, 1926, 1930, 1933, 1936, 1940, 1949, 1950, 1952, 1953, 1954, 1960, 1964, 1968, 1973, 1974, 1975, 1977, 1978, 1979, 1986, 1989, 1990, 1991, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1999, 2003, 2004, 2007, 2008, 2014, 2015, 2018, 2019, 2022 e 2025.

A taça "Estrela do Norte" obtida com a conquista do Campeonato Paraense de 2022

• Supercopa Grão-Pará: 1 – 2026.

OUTRAS CONQUISTAS

Para fins didáticos, essa seção foi dividida em "Torneios", conquistas que envolvem a participação de mais do que dois times, e "Taças", obtidas do confronto contra um único adversário.

TORNEIOS INTERNACIONAIS

Torneio Internacional de Caracas (VEN): 1950.

Torneio Internacional de Belém: 1967 (PA/SUR), 1975 (PA/SUR) e 1981 (PA/VEN).

Torneio Internacional de Paramaribo (SUR): 1980, 1984 e 1999.

TAÇAS INTERNACIONAIS

• Bronze Estado do Pará (SUR): 1940.

• Copa Snapp (SUR): 1940.

TORNEIOS INTERESTADUAIS

• Torneio Interestadual de Belém (PA/BA): 1954.

• Torneio Interestadual Coronel Ferreira Coelho (PA/AP): 1956.

Torneio Interestadual Stélio Maroja (PA/MA/PI): 1966.

• Torneio Interestadual de Salvador (BA): 1967.

Torneio Péricles Guedes de Oliveira (PA/MA): 1968.

• Torneio Alacid Nunes (PA/CE/PE): 1968.

• Torneio Pará-Goiás: 1972-I e 1972-II.

• Torneio Pará-Maranhão: 1977.

• Torneio Pará-Ceará: 1994.

TAÇAS INTERESTADUAIS

Taça Município (MA): 1916.

Taça Imprensa (MA): 1916.

Taça Comércio (MA): 1916.

Taça FAC (MA): 1916.

Taça Centenário da Revolução Pernambucana (PE): 1917 (Seleção Pernambucana 2 x 4 Remo – 11/03/1917 / Seleção Pernambucana 2 x 3 Remo – 15/03/1917).

• Bronze Benjamin Constant: 1917 (Remo 5 x 1 Navio Benjamin Constant – 26/09/1917).

Taça de Prata (PA/PE): 1919 (Remo 1 x 0 Sport-PE – 06/04/1919).

Taça Izidoro Figueiredo (PA/AM): 1923 (Remo 2 x 1 Nacional-AM – 23/01/1923).

• Taça Branca de Neve (AM): 1947 (Tijuca-AM 0 x 2 Remo – 27/11/1947).

• Bronze Magistral (AM): 1947 (Nacional-AM 0 x 1 Remo – 07/12/1947).

Taça Icomi (AP): 1963. 

TORNEIOS ESTADUAIS/MUNICIPAIS

• Torneio Início: 1920, 1921, 1922, 1923, 1925, 1928, 1934, 1939, 1945, 1950, 1951, 1952, 1955, 1956, 1959, 1964, 1971, 1987, 1992 e 1995.

• Torneio do Festival do Brasil-PA – Taça Fábrica Girafa: 1920.

Torneio do Festival de Beneficência: 1920.

• Torneio do Festival Cívico – Taça Floriano Peixoto: 1920.

• Torneio do Festival do Brasil-PA – Taça Sousa Castro: 1921.

• Torneio Folha do Norte: 1921.

• Torneio do Festival do Centro Acadêmico – Taça Sousa Castro: 1921.

• Torneio do Festival do Remo – Taça A Brasileira1921.

• Torneio do Festival do Centro Católico – Bronze D. Antônio Macedo da Costa1921.

• Torneio Lauro Muller: 1922 e 1923.

• Torneio do Festival do Guarany-PA – Taça Ruben: 1924.

• Torneio Arthur Bernardes: 1925.

• Torneio do Festival do Panther-PA: 1926.

Torneio Cipriano Santos: 1927.

• Torneio União Sportiva: 1929.

• Torneio do Festival da ACEP – Taça Perfumaria Orion: 1929.

• Torneio do Festival do Júlio César-PA – Taça Almirante Pinto Luz: 1929.

• Torneio do Festival do Luso Brasileiro-PA – Bronze Portugal: 1930.

• Torneio do Festival da União Beneficente dos Chauffeurs – Taça Gasolina Standard/Texaco: 1932.

• Campeonato da Liga Esportiva Paraense (LEP): 1932.

• Torneio Cognac Martell1934.

• Torneio Início da Liga Paraense de Futebol (LPF): 1937.

Torneio – Taça Acácio Silva: 1942.

Torneio da FPD/DEIP: 1942.

Torneio Quadrangular Paraense: 1952.

• Torneio da Paz: 1954.

• Torneio Adamor Virgolino: 1954.

• Torneio Salevy: 1956 e 1957.

• Torneio Cidade de Belém: 1964, 1965, 1970 e 1982.

• Torneio Seletivo Paraense à Série B: 1971 e 1984.

Torneio Hélio Gueiros: 1989.

Torneio Seletivo Paraense à Copa Norte: 1997 e 2000.

Copa Ferreirinha: 2001.

Torneio Cidade de Santarém – Taça Rádio Clube do Pará 77 Anos: 2005.

TAÇAS ESTADUAIS/MUNICIPAIS

Taça Super-Ale: 1916 (Remo 5 x 0 Seleção Paraense – 16/01/1916).

• Taça do Festival da FPSN: 1917 (Remo 3 x 0 Seleção Paraense – 07/09/1917).

Taça do Festival da Caridade: 1920 (Remo 3 x 1 Brasil Sport-PA – 12/09/1920).

Taça do Festival do Paysandu: 1926 (Remo 2 x 1 União Sportiva-PA – 25/04/1926).

Taça Palace Clube: 1926 (Remo 3 x 2 União Sportiva-PA – 06/06/1926).

• Taça José Maria Marques – Festival do Júlio César): 1932 (Remo 4 x 1 Tuna – 03/01/1932).

Taça Guaraná Simões – Festival da ACEP: 1932 (Remo 6 x 0 Floriano-PA – 18/09/1932).

Taça Ana Maria: 1932 (Pinheirense-PA 1 x 4 Remo – 20/11/1932).

Taça Guaraná Soberano – Festival da ACEP: 1934 (Paysandu 1 x 2 Remo – 19/08/1934).

Taça do Festival do Liberto-PA: 1934 (Remo 2 x 2 Tuna – 02/02/1934 / A Tuna abandonou o campo).

Taça do Festival do Remo: 1935.

Taça Paulo Maranhão Filho – Festival do Remo: 1936 (Remo 4 x 4 Paysandu – 21/04/1936).

Taça Cortume Ariry: 1936 (Remo 2 x 1 Paysandu – 05/07/1936).

Taça Yolanda Nunes: 1937 (Remo 3 x 0 São Domingos-PA – 17/05/1937).

• Taça Dr. Gama Malcher – Festival da Folha do Norte: 1938 (Remo 4 x 1 Marco-PA – 16/01/1938).

• Taça da Paz/Importadora de Ferragens: 1938 (Remo 1 x 1 Paysandu – 27/03/1938 / Remo 5 x 1 Paysandu – 03/04/1938).

• Taça José Maria Marques: 1938 (Remo 4 x 2 Tuna – 03/05/1938 / Remo 4 x 1 Tuna – 08/05/1938).

Taça Pneu Brasil – Festival do Marco-PA: 1938 (Remo 3 x 1 Nacional-PA – 03/07/1938).

Taça Mundo Elegante – Festival da Tuna: 1938 (Remo 3 x 1 Paysandu – 07/08/1938).

Taça Abelardo Conduru: 1939 (Remo 7 x 2 Paysandu – 05/03/1939 / Remo 2 x 1 Paysandu – 26/03/1939).

Taça Dr. José Malcher: 1940 (Remo 7 x 2 Tuna  – 01/05/1940).

Taça do Torneio Relâmpago Pró-FEB: 1945 (Remo 5 x 2 Transviário-PA – 11/03/1945).

Taça Brigadeiro Costa: 1946 (Remo 6 x 0 Transviário/Santa Cruz-PA – 06/10/1946).

Taça Joaquim de Souza Souzelas: 1946 (Remo 5 x 2 Paysandu – 24/11/1946).

Taça Adriano Borges: 1947 (Remo 3 x 1 Paysandu – 20/07/1947).

Taça Comandante Cerejo: 1948 (Remo 1 x 0 Tuna – 29/02/1948).

Taça Governador do Estado: 1948 (Remo 2 x 0 Paysandu – 23/05/1948).

Bronze da Paz/Firmino de Oliveira: 1950 (Remo 3 x 0 Paysandu – 17/08/1950).

Taça Luiz Gonzaga (Clássico da Paz): 1965 (Remo 3 x 2 Paysandu – 24/04/1965).

Taça Cidade de Belém (350 Anos de Belém): 1966 (Remo 3 x 0 Paysandu – 23/01/1966).

Taça Governador Alacid Nunes: 1968 (Remo 2 x 2 Tuna – 14/02/1968 / Remo 2 x 0 Tuna – 18/02/1968).

Taça – "Remo x Comercial-MS": 1984 (Remo 3 x 2 Comercial-MS – 18/03/1984).

Taça do Dia do Trabalhador: 1984 (Remo 1 x 0 Paysandu – 13/05/1984).

Taça Cândido Neiva: 1989 (Remo 1 x 0 Paysandu – 01/03/1989).

Taça Yamada: 1995 (Paysandu 0 x 0 Remo – 03/08/1995 / Remo 1 x 0 Paysandu – 07/08/1995).

Taça Ama Belém: 2007 (Remo 1 x 1 Paysandu – 23/12/2007 / O Remo ganhou nos escanteios por 6 a 1).

• Taça Coronel Antônio Carlos Nunes (Superclássico Luso-Brasileiro): 2011.

Taça 84 Anos do São Francisco: 2013.

Taça Círio de Nazaré: 2013.

Taça Cidade Modelo: 2015.

Taça Renilce Nicodemos: 2017.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Aílton, o Predestinado

Em sua vitoriosa carreira, Aílton Ferraz ganhou o apelido de "Predestinado" por ter marcados gols importantes pelos grandes clubes por onde passou. Foi assim no Carioca de 1995, pelo Fluminense-RJ - sim, o do famoso "gol de barriga" de Renato Gaúcho, mas que na súmula foi creditado a Aílton - e no Gaúcho e Brasileiro de 1996 do Grêmio.

Com esse currículo invejável, a sua vinda para o Clube do Remo em 1999, por intermédio de Pedro Minowa, foi vista com muita surpresa no meio futebolístico paraense. Entretanto, durante o campeonato, Aílton sofreu uma séria lesão no joelho que o deixou um tempo longe dos gramados. Ele retornou apenas nas finais contra o Paysandu, marcando o gol do título na vitória de 1 a 0, em 11/07/1999.

Fazendo valer a sua fama, e por tudo o que passara durante a competição, Aílton chegou a declarar anos depois ao programa "Sócio PFC" que esse gol marcou a sua carreira: "eu valorizo bastante esse gol porque eu vim de cirurgia. Eu joguei um jogo antes da final e fui considerado o melhor em campo. No segundo o joelho 'tava muito inchado'. Eu tratei e falei 'eu vou jogar!'. E joguei e fiz o gol do título. Isso ficou marcado na minha carreira pelo momento que estava passando".

Lulu, o Grande "Back" Azulino

Livro Leão Centenário (2005)

Em uma época na qual os zagueiros ainda eram conhecidos como "backs", Lulu se tornou um bastião da defesa azulina durante os primeiros gloriosos anos do Clube do Remo. Mesmo com a escassez de informações dos jornais mais antigos, Lulu é, até onde se sabe, o único jogador a participar de todas as campanhas do heptacampeonato de 1913 a 1919, tendo disputado pelo menos 37 partidas oficiais nesse período.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Antonico, o Pioneiro

Essa foto foi publicada no jornal O Liberal de 27 de março  de 1951. À primeira vista, este senhor de idade avançada e com a saúde comprometida pode não chamar a atenção do torcedor azulino. Mas ao pesquisar sobre a história do Remo, tem-se a magnitude da sua importância para o Leão Azul.

Antonio Ribeiro Silva, o Antonico, simplesmente foi o responsável pela implantação do futebol no ainda Grupo do Remo em 1913. Ele fez parte das primeiras linhas de atacantes remistas – os chamados "forwards" na época, tendo marcado mais de 30 gols em um período de escassez de informações, destacando-se tentos pioneiros importantes.

É de sua autoria o primeiro gol oficial do Clube do Remo na história do Campeonato Paraense, na goleada de 4 a 1 sobre o União Sportiva em 14 de julho de 1913. Além disso, ele foi o primeiro atleta azulino a marcar um gol no Re-Pa, no clássico de número um, de 14 de junho de 1914, conforme constatado no jornal Correio de Belém do dia seguinte: "Antonico tira um pontapé fraco para o Grupo do Remo, o que lhe assegura a vitória".

Portanto, não restam dúvida de que Antonico é uma legenda na história do Filho da Glória e do Triunfo, essencial para os momentos iniciais do vitorioso futebol azulino.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Campeão Paraense em 1949

 

Em termos de títulos, pode-se dizer que os anos 40 foram os piores da história do Clube do Remo. Depois do campeonato de 1940, os remistas ficaram intermináveis nove temporadas com o grito de "É campeão!" entalado na garganta. Nesse período viu o domínio dos rivais, Paysandu e Tuna, arremataram a totalidade das competições - excetuando 1946 em que não houve campeonato. A situação só começaria a mudar na segunda metade da década, depois do advento do profissionalismo (1945), do qual o Remo foi o precursor. 

Algum tempo depois, os frutos começaram a surgir. É nesse período, por exemplo, que vem jogadores como o uruguaio Veliz, goleiro que defendeu ferrenhamente por mais de 10 temporadas o arco azulino; o mineiro Jambo, um dos primeiros profissionais do estado, considerado o melhor “centro-médio” da época; e o baiano Quiba, o "mais perigoso meia-direita da cidade".

A esses importados juntaram-se os melhores valores da terra. A dupla de zaga, por exemplo, era composta por Expedito – o único remanescente do título de 1940 – e Isan, o mais completo marcador de “centro". Fazendo companhia a Jambo no meio, estavam Pelado e Muniz, ambos com histórico na Tuna, mas este último com experiencia em outros estados, como Pernambuco e Amazonas. Mas era o ataque, o ponto forte dessa equipe: além do já citado Quiba, o Remo contava com Gejú, Itaguari – os três no top 15 de maiores artilheiros azulinos na história –, além de Silvio, Marido e Jaime, que seria condecorado pela A Província do Pará, como o craque do ano do futebol paraense.

O Remo mostrou-se time versátil e perfeitamente ajustado em suas linhas. Praticava um futebol vistoso e eficiente, tanto é que acostumou-se a golear seus adversários, construindo seus placares logo no início dos jogos. Para se ter uma ideia, entre 1948 e 1949, o Leão venceu 12 dos 16 Re-Pa's que disputou, fazendo 48 gols e impondo acachapantes goleadas, como: 6 a 2 em 07/09/1948, 5 a 3 em 10/04/1949, 6 a 2 em 17/04/1949, 5 a 2 em 05/06/1949 e 5 a 3 em 13/11/1949. Detalhe: com exceção deste último jogo, todos ocorreram na Curuzu.

Essas vitórias foram o prenúncio do fim do jejum. Sob os comandos do vitorioso técnico Nagib Matni, os remistas mantiveram o desempenho no certame estadual. Auto Clube do Pará e Paulista foram presas fáceis; apenas os velhos rivais Tuna e Paysandu proporcionaram algum tipo de combatividade ainda no primeiro turno da competição. Mas no returno, não teve jeito, o Remo atropelou cada um dos demais participantes, credenciando-se para a final juntamente com o Paysandu.

Era a grande chance do Clube do Remo de reconquistar o cetro de campeão após quase uma década em branco. O confronto estava cercado por muitas expectativas. No Re-Pa do primeiro turno, o Paysandu levou a melhor por 1 a 0; mas no returno o Remo devolveu com juros, aplicando-lhe imponentes 5 a 3. Com uma vitória para cada lado, o tira-teima seria definido em uma melhor-de-três que, na realidade, acabou nem acontecendo.

Já no primeiro jogo, em pleno Natal de 1949, o Remo presenteou a sua torcida com uma vitória de 3 a 1 no Baenão, garantindo uma boa vantagem para a segunda partida, na Curuzu. Esta se deu já em 1950, dia 08/01. A Província do Pará do dia anterior se reportava ao jogo como o “choque-sensação”, onde, curiosamente, estariam “em luta os dois Leões”. Mas na Amazônia só existe um Leão e este mostrou toda a sua imponência. 

Mesmo que tenha sofrido uma certa pressão inicial dos adversários desesperados em reverter a desvantagem, o Remo soube se defender e abriu o placar aos 25 minutos do primeiro tempo, com Geju — substituto de Silvio naquela ocasião. Daí em diante, o Paysandu foi presa fácil. Jaime fez o segundo no final do primeiro tempo. Na segunda etapa, Jambo marcou de falta o terceiro logo aos quatro minutos; por fim, Jaime, novamente, fechou a goleada que ainda teve um tento de honra listrado. 

Com 7 a 2 no agregado, nem foi preciso o jogo-desempate. O Remo sagrou-se campeão paraense de 1949, com oito vitórias, um empate e uma derrota. Foi o desfecho do martírio azulino e o começo do bicolor, que passaria igualmente nove temporadas sem conquistar o troféu do estadual (1947 a 1956), aguentando o Filho da Glória e do Triunfo devolver os cinco títulos — bicampeonato em 1949/50 e tri em 1952/53/54 — e retomar a hegemonia no Pará.

A Província do Pará, de 10/01/1950, informou:

"Vitória da classe e do destemor — Abatendo o Paisandú, de 4 a 1 sagrou-se o Remo campeão de 49 - O cetro do futebol citadino foi parar às mãos dos azues, depois de uma jornada brilhante, em que o grande esquadrão do velho clube de Rubilar, de jôgo para jôgo, pôde evidenciar uma pujança verdadeiramente admirável. (...) Não foi a vitória remista à base de fatores outros, fortuitos e menos auspiciosos. Mas, isso sim, a vitória do mérito real, inconteste. Vitória da classe e do destemor. Uma linha reta entre a fôrça de vontade, o trabalho construtivo e a glória".

Nilo Franco, em sua coluna na mesma edição do jornal, escreveu sobre o título:

"O MAIOR... — (...) Depois de nove anos, volta-lhe o cetro dignificado por uma jornada realmente brilhante, engrandecido pelos feitos mais heróicos. E volta porque o Remo tudo soube fazer por conquistá-lo. Foi sempre e mais e mais a cada jogo um grande quadro cheio de indômita bravura, de admirável destemor, preliando com  classe e com dignidade. Foi, enfim, o maior".