quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Aílton, o Predestinado

Em sua vitoriosa carreira, Aílton Ferraz ganhou o apelido de "Predestinado" por ter marcados gols importantes pelos grandes clubes por onde passou. Foi assim no Carioca de 1995, pelo Fluminense-RJ - sim, o do famoso "gol de barriga" de Renato Gaúcho, mas que na súmula foi creditado a Aílton - e no Gaúcho e Brasileiro de 1996 do Grêmio.

Com esse currículo invejável, a sua vinda para o Clube do Remo em 1999, por intermédio de Pedro Minowa, foi vista com muita surpresa no meio futebolístico paraense. Entretanto, durante o campeonato, Aílton sofreu uma séria lesão no joelho que o deixou um tempo longe dos gramados. Ele retornou apenas nas finais contra o Paysandu, marcando o gol do título na vitória de 1 a 0, em 11/07/1999.

Fazendo valer a sua fama, e por tudo o que passara durante a competição, Aílton chegou a declarar anos depois ao programa "Sócio PFC" que esse gol marcou a sua carreira: "eu valorizo bastante esse gol porque eu vim de cirurgia. Eu joguei um jogo antes da final e fui considerado o melhor em campo. No segundo o joelho 'tava muito inchado'. Eu tratei e falei 'eu vou jogar!'. E joguei e fiz o gol do título. Isso ficou marcado na minha carreira pelo momento que estava passando".

Lulu, o Grande "Back" Azulino

Livro Leão Centenário (2005)

Em uma época na qual os zagueiros ainda eram conhecidos como "backs", Lulu se tornou um bastião da defesa azulina durante os primeiros gloriosos anos do Clube do Remo. Mesmo com a escassez de informações dos jornais mais antigos, Lulu é, até onde se sabe, o único jogador a participar de todas as campanhas do heptacampeonato de 1913 a 1919, tendo disputado pelo menos 37 partidas oficiais nesse período.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Antonico, o Pioneiro

Essa foto foi publicada no jornal O Liberal de 27 de março  de 1951. À primeira vista, este senhor de idade avançada e com a saúde comprometida pode não chamar a atenção do torcedor azulino. Mas ao pesquisar sobre a história do Remo, tem-se a magnitude da sua importância para o Leão Azul.

Antonio Ribeiro Silva, o Antonico, simplesmente foi o responsável pela implantação do futebol no ainda Grupo do Remo em 1913. Ele fez parte das primeiras linhas de atacantes remistas – os chamados "forwards" na época, tendo marcado mais de 30 gols em um período de escassez de informações, destacando-se tentos pioneiros importantes.

É de sua autoria o primeiro gol oficial do Clube do Remo na história do Campeonato Paraense, na goleada de 4 a 1 sobre o União Sportiva em 14 de julho de 1913. Além disso, ele foi o primeiro atleta azulino a marcar um gol no Re-Pa, no clássico de número um, de 14 de junho de 1914, conforme constatado no jornal Correio de Belém do dia seguinte: "Antonico tira um pontapé fraco para o Grupo do Remo, o que lhe assegura a vitória".

Portanto, não restam dúvida de que Antonico é uma legenda na história do Filho da Glória e do Triunfo, essencial para os momentos iniciais do vitorioso futebol azulino.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Campeão Paraense em 1949

 

Em termos de títulos, pode-se dizer que os anos 40 foram os piores da história do Clube do Remo. Depois do campeonato de 1940, os remistas ficaram intermináveis nove temporadas com o grito de "É campeão!" entalado na garganta. Nesse período viu o domínio dos rivais, Paysandu e Tuna, arremataram a totalidade das competições - excetuando 1946 em que não houve campeonato. A situação só começaria a mudar na segunda metade da década, depois do advento do profissionalismo (1945), do qual o Remo foi o precursor. 

Algum tempo depois, os frutos começaram a surgir. É nesse período, por exemplo, que vem jogadores como o uruguaio Veliz, goleiro que defendeu ferrenhamente por mais de 10 temporadas o arco azulino; o mineiro Jambo, um dos primeiros profissionais do estado, considerado o melhor “centro-médio” da época; e o baiano Quiba, o "mais perigoso meia-direita da cidade".

A esses importados juntaram-se os melhores valores da terra. A dupla de zaga, por exemplo, era composta por Expedito – o único remanescente do título de 1940 – e Isan, o mais completo marcador de “centro". Fazendo companhia a Jambo no meio, estavam Pelado e Muniz, ambos com histórico na Tuna, mas este último com experiencia em outros estados, como Pernambuco e Amazonas. Mas era o ataque, o ponto forte dessa equipe: além do já citado Quiba, o Remo contava com Gejú, Itaguari – os três no top 15 de maiores artilheiros azulinos na história –, além de Silvio, Marido e Jaime, que seria condecorado pela A Província do Pará, como o craque do ano do futebol paraense.

O Remo mostrou-se time versátil e perfeitamente ajustado em suas linhas. Praticava um futebol vistoso e eficiente, tanto é que acostumou-se a golear seus adversários, construindo seus placares logo no início dos jogos. Para se ter uma ideia, entre 1948 e 1949, o Leão venceu 12 dos 16 Re-Pa's que disputou, fazendo 48 gols e impondo acachapantes goleadas, como: 6 a 2 em 07/09/1948, 5 a 3 em 10/04/1949, 6 a 2 em 17/04/1949, 5 a 2 em 05/06/1949 e 5 a 3 em 13/11/1949. Detalhe: com exceção deste último jogo, todos ocorreram na Curuzu.

Essas vitórias foram o prenúncio do fim do jejum. Sob os comandos do vitorioso técnico Nagib Matni, os remistas mantiveram o desempenho no certame estadual. Auto Clube do Pará e Paulista foram presas fáceis; apenas os velhos rivais Tuna e Paysandu proporcionaram algum tipo de combatividade ainda no primeiro turno da competição. Mas no returno, não teve jeito, o Remo atropelou cada um dos demais participantes, credenciando-se para a final juntamente com o Paysandu.

Era a grande chance do Clube do Remo de reconquistar o cetro de campeão após quase uma década em branco. O confronto estava cercado por muitas expectativas. No Re-Pa do primeiro turno, o Paysandu levou a melhor por 1 a 0; mas no returno o Remo devolveu com juros, aplicando-lhe imponentes 5 a 3. Com uma vitória para cada lado, o tira-teima seria definido em uma melhor-de-três que, na realidade, acabou nem acontecendo.

Já no primeiro jogo, em pleno Natal de 1949, o Remo presenteou a sua torcida com uma vitória de 3 a 1 no Baenão, garantindo uma boa vantagem para a segunda partida, na Curuzu. Esta se deu já em 1950, dia 08/01. A Província do Pará do dia anterior se reportava ao jogo como o “choque-sensação”, onde, curiosamente, estariam “em luta os dois Leões”. Mas na Amazônia só existe um Leão e este mostrou toda a sua imponência. 

Mesmo que tenha sofrido uma certa pressão inicial dos adversários desesperados em reverter a desvantagem, o Remo soube se defender e abriu o placar aos 25 minutos do primeiro tempo, com Geju — substituto de Silvio naquela ocasião. Daí em diante, o Paysandu foi presa fácil. Jaime fez o segundo no final do primeiro tempo. Na segunda etapa, Jambo marcou de falta o terceiro logo aos quatro minutos; por fim, Jaime, novamente, fechou a goleada que ainda teve um tento de honra listrado. 

Com 7 a 2 no agregado, nem foi preciso o jogo-desempate. O Remo sagrou-se campeão paraense de 1949, com oito vitórias, um empate e uma derrota. Foi o desfecho do martírio azulino e o começo do bicolor, que passaria igualmente nove temporadas sem conquistar o troféu do estadual (1947 a 1956), aguentando o Filho da Glória e do Triunfo devolver os cinco títulos — bicampeonato em 1949/50 e tri em 1952/53/54 — e retomar a hegemonia no Pará.

A Província do Pará, de 10/01/1950, informou:

"Vitória da classe e do destemor — Abatendo o Paisandú, de 4 a 1 sagrou-se o Remo campeão de 49 - O cetro do futebol citadino foi parar às mãos dos azues, depois de uma jornada brilhante, em que o grande esquadrão do velho clube de Rubilar, de jôgo para jôgo, pôde evidenciar uma pujança verdadeiramente admirável. (...) Não foi a vitória remista à base de fatores outros, fortuitos e menos auspiciosos. Mas, isso sim, a vitória do mérito real, inconteste. Vitória da classe e do destemor. Uma linha reta entre a fôrça de vontade, o trabalho construtivo e a glória".

Nilo Franco, em sua coluna na mesma edição do jornal, escreveu sobre o título:

"O MAIOR... — (...) Depois de nove anos, volta-lhe o cetro dignificado por uma jornada realmente brilhante, engrandecido pelos feitos mais heróicos. E volta porque o Remo tudo soube fazer por conquistá-lo. Foi sempre e mais e mais a cada jogo um grande quadro cheio de indômita bravura, de admirável destemor, preliando com  classe e com dignidade. Foi, enfim, o maior".

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Campeão Paraense em 1940

 
Atletas azulinos saudando a torcida na vitória de 3 a 2 do Clube do Remo sobre o Paysandu, em 03/11/1940 (Folha do Norte).

Após a conquista do Campeonato Paraense de 1936, o Clube do Remo brigou com a Liga Atlética Paraense - regente do esporte no estado na época - e abriu mão de disputar o certame de 1937. Retornou no ano seguinte, mas não impediu o bicampeonato da Tuna. Já em 1939, o título ficou com o Paysandu que montou um dos seus grandes times, o chamado "esquadrão de aço".

Já era hora do Leão reassumir o protagonismo no estado. Então em 1940, os azulinos realizam uma ótima campanha no campeonato. Porém, os tropeços diante de Tuna e Paysandu — 1 x 2 e 1 x 1, respectivamente — colocam o Remo em desvantagem perante os seus maiores adversários na competição. E era justamente contra eles que se encerraria a campanha azulina naquele certame. Só a vitória interessava!

No dia 20/10/1940, o Remo se recupera e consegue a sua revanche contra a Lusa, vencendo-a por 3 a 2, no Souza. Com isso, o Leão ultrapassou os cruzmaltinos, ficando agora com três pontos perdidos contra quatro - era assim que se lia a pontuação na época, com a derrota contabilizando a perda de dois pontos e o empate, um. Todavia, o Clube de Periçá ainda estava atrás do Paysandu (um ponto perdido).

Diante disso, no Re-Pa programado para o dia 03/11 era de se esperar um certo favoritismo do lado bicolor, não apenas por estar à frente, mas também por jogar em casa, na Curuzu. Entretanto, os remistas não ligaram para isso e buscaram um grande triunfo, repetindo o placar de 3 a 2, gols de Bendelack e Vavá (2). Foi só aguardar a Tuna vencer o Paysandu por 3 a 1, em 19/01/1941, para o Remo confirmar o seu 14° (e último) título paraense do amadorismo. 

Ao que parece, mesmo ocupando o posto máximo do futebol paraense, o Clube do Remo foi alvo de críticas por precisar de uma combinação de resultados para ser campeão. Mas a Folha do Norte, de 21/01/1941, saiu em defesa do Filho da Glória e do Triunfo: 

"Muita gente que se perde nas nas alternativas do certame em relacionar os fatos, atribuiu essa conquista a uma simples questão de chance. Engano envolvendo flagrante justiça. Basta rememorar as etapas azulinas durante o campeonato, a ‘performance’ do quadro através de marcadores vultuosos, assegurando vitórias brilhantes, as condições em que chegou às finais, para que se considere o grande Clube merecedor do bastão futebolístico regional".

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Campeão Paraense em 1968 (Invicto)

CLUBE DO REMO - CAMPEÃO PARAENSE EM 1968 (INVICTO)
Em pé: Jorge, Alemão, China, Casemiro, Ângelo e Edilson;
Agachados: Birungueta, Robilotta, Amoroso, Celso e Zequinha.

O título paraense de 1968 é um mais emblemáticos da história. Primeiro pelas circunstâncias em que se sucederam o vice no anterior,  no qual em uma série de Re-Pa's seguidos, o Clube do Remo sagrou-se campeão do segundo turno, mas não foi capaz de evitar o tricampeonato do rival. Portanto, reconquista do estadual era prioridade máxima nos arraias azulinos.

Para tanto, o Remo vendeu o zagueiro Assis para o Fluminense-RJ por NCR$ 80.000,00 e aproveitou para comprar em definitivo o atacante Amoroso, que estava emprestado ao Leão pelo clube carioca. Amoroso fora destaque remista em 1967, tornando-se artilheiro do Parazão com 19 marcados. Além disso, o Mais Querido atravessou Robilotta, goleador do Paysandu no tricampeonato de 1965-66-67. 

Com esse ataque infernal, o Mais Querido atropelou os seus adversários. Enfrentando Combatentes, Tuna, Sacramenta, Sport Belém e Paysandu, em jogos de turno e returno, os azulinos venceram nove jogos seguidos, conquistando o primeiro turno nesse percurso e chegando à última partida, contra o Paysandu, no dia 14 de julho de 1968, precisando apenas de um empate para conquistar o troféu.

A expectativa era tamanha que mesmo o jogo sendo na Curuzu, a torcida azulina era maioria. Todas as atenções da imprensa esportiva estavam voltadas para a possibilidade do título azulino, que se tornou ainda mais provável quando Amoroso abriu o placar aos 21' do primeiro tempo, atirando no canto esquerdo da meta do goleiro bicolor Omar.

Entretanto, o Paysandu reagiu e virou o escore através dos gols de Hélio Cruz aos 40' do primeiro tempo e Edinho, ex-azulino, aos 12' do segundo. Por sorte, quando o ponteiro marcava 37', novamente Amoroso, fazendo jus ao seu apelido "Pé de Coelho", em lance de extrema perspicácia e oportunisto, aproveita a bobeira da defesa bicolor e consegue o oportuno empate. O único jogo daquele campeonato que o Remo não venceu, mas que lhe valera o título.

"A Província do Pará" assim descreveu o lance:

"A bola vai à linha de fundo. Tiro de méta para o Papão. Omar dá para Abel que devolve. Amoroso vivo, inteligente, entra no lance, rouba a bola e atira para a meta desguarnecida, sôbre espanto dos dois jogadores alvi-azuis e alegria dos remistas. Era o goal do empate, o goal do campeonato. (...) Remo, campeão invicto de 1968! Um ponto perdido apenas!".

Segue a "A Província": 

"A culminar uma campanha particularmente brilhante, a equipe de profissionais do Clube do Remo manteve a sua condição de invicta e, empatando a 2 tentos com o Paissandu, conquistou o título regional de 1968. As peripécias do jôgo - como as de todo o campeonato - mostrou a equipe 'azulina' fortalecida, de alma lavada, destemida e preparada para enfrentar a luta com espírito de desportivismo. Um campeão sem mêdo e sem mácula! Marcou um goal, cedeu o empate, estêve depois em desvantagem, mas serenamente, sem perturbações conscientemente soube lutar por nova igualdade, para conquistar o título. Houve ansiedade e emoção entre o público, lágrimas de alegria do atleta brioso e lutador, após o término da partida, e a alegria efuziante que se espalhou por tôda cidade. Nas fotos, dos reporteres Airton Quaresma e Fernando Seixas, os lances dos dois goals do Remo (Amoroso), a apreensão estampada na fisionomia 'dum' remista quando o Remo perdia por 2 x 1, Birungueta chorando de emoção, depois de lhe terem levado a camisa e a expressão de alegria na passeata da vitória".

O esquadrão campeão invicto era formado por Jorge; Alemão, China, Casemiro,  Angelo e Edílson; Birungueta, Robilotta, Amoroso, Celso e Zequinha. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O Heptacampeonato

CLUBE DO REMO — HEPTACAMPEÃO PARAENSE EM 1913/14/15/16/17/18/19

Pode-se afirmar, sem dúvida alguma, que o futebol do Clube do Remo já nasceu glorioso. A sua introdução no quadro esportivo azulino em 1913 se deu em um contexto de reestruturação do Campeonato Paraense, que voltaria a ser disputado naquela temporada após três anos, graças à criação da Liga Paraense de Foot-Ball. E logo na sua primeira participação, o "football team" do Grupo do Remo, formado por "sportmen" já acostumados com as vitórias nas águas, sagrou-se pela primeira vez campeão paraense. Mas não parou por aí: soberano em todos os aspectos, o Remo emplacou o heptacampeonato, a maior sequência de títulos da história do Campeonato Paraense de Futebol.

1914 – BICAMPEÃO 

Estado do Pará, 24 de janeiro de 1915

O campeonato de 1914 adotou uma fórmula de disputa que se perpetuaria nos anos posteriores. Foi organizado em dois turnos; no primeiro, todos os participantes se enfrentavam em jogos de "ida", sendo que os melhores pontuadores (geralmente os quatro primeiros), se classificavam para o returno, também disputado da mesma forma que o primeiro turno. Ao final, o time que tivesse mais pontos, seria coroado com o título. Em caso de igualdade de pontos, uma disputa extra poderia ser realizada.

O Remo começaria a sua defesa pelo título de campeão paraense no dia 14 de junho de 1914, quando venceu o seu futuro rival, o Paysandu, por 2 a 1, no primeiro Re-Pa da história, em jogo que também marcou a inauguração do estádio da firma Ferreira & Comandita (atual Curuzu), que passou a ser o local oficial de jogos. No decorrer do turno, os azulinos ainda ganhariam de União Sportiva, Guarany, Aliança, Brasil Sport e Ipiranga, além de um resultado desconhecido contra o Panther Club.

Para o returno, classificaram-se, além do Remo, União Sportiva, Paysandu e Panther. No dia 6 de dezembro, o Remo voltaria a vencer o Paysandu, agora por 3 a 1, com três gols de Antonico. Posteriormente, em reunião realizada na data de 16 de dezembro, a Liga anulou os jogos Panther x União (29 de novembro) e União x Paysandu (12 de dezembro), cada um com as suas irregularidades específicas. Diante dessa decisão, tanto o Paysandu, quanto o Panther, abandonaram a disputa. O jogo restante, entre Remo e União chegou a ser anunciado para o Natal daquele ano, mas não se sabe se chegou a realmente ocorrer. 

A única certeza era: Remo, bicampeão paraense!

Estado do Pará, de 5 de dezembro de 1914, se reportando ao Re-Pa do dia seguinte

1915 – TRICAMPEÃO

"Time do Clube do Remo, já vitorioso desde 1915". A História do Clube do Remo, de Ernesto Cruz, 1969

O ano de 1915 fomenta a rivalidade entre Remo e Paysandu. Além de perder a sua invencibilidade em clássicos, o Remo decidiu romper as relações amigáveis que mantinha com o rival, após ser destratado pelos bicolores em um ofício-resposta a um convite azulino para um "match-desafio" no mês de fevereiro. Esse fato contribuiu para que a rixa entre os clubes, que já eram considerados os principais da cidade e disputavam a preferência clubística dos belenenses, ficasse ainda mais acirrada.

Coincidentemente, o jogo de abertura do Campeonato Paraense daquele foi justamente o Re-Pa, dia 03/05/1915. Mesmo com o Paysandu sendo considerado mais forte tecnicamente naquele momento, o Remo conseguiu segurar o empate contra o rival. Esse resultado foi essencial, pois poderia representar um desequilíbrio mais à frente. Afinal, os outros participantes da competição – União Sportiva, Panther, Guarany e Brasil Sport – não forneceram perigo algum a Remo e Paysandu, de tal forma que ambos venceram todos os seus jogos subsequentes.

Todavia, quase que essa sequência de vitórias não se concretiza. No quarto jogo do turno, em 01/08/1915, o Remo venceu o Brasil por 1 a 0, porém, no dia 04/09, a Liga resolveu anular esse resultado, conferindo empate para ambos. O Remo ameaçou desfiliar-se da Liga. Em gesto nobre, o Brasil abriu mão da decisão, sugerindo a remarcação do jogo, que assim se sucedeu no dia 07/11. Dessa vez, o placar não deixou dúvidas: Remo 9 x 0 Brasil. Curiosamente, os azulinos já vinham de dois 9 x 0 seguidos, contra Guarany e União Sportiva.

Ao chegar na fase derradeira, azulinos e bicolores apresentavam campanhas praticamente idênticas – sete vitórias e um empate, com vantagem do Paysandu no saldo de gols. Assim, no último e decisivo jogo, o Re-Pa do dia 19/12/1915, nada mais interessava ao Remo se não a vitória. Diante de um grande público, que lotou as dependências do estádio da firma Ferreira & Comandita, o Clube do Remo foi taticamente perfeito e muito superior ao rival, sabendo aproveitar as suas fragilidades. Assim se construiu um verdadeiro massacre azulino: 5 a 1 e o primeiro tri da história!

Estado do Pará, 20/12/1915

O mais curioso disso tudo é que, apesar de todos os acontecimentos anteriores, os bicolores resolveram participar da carreata comemorativa ao título azulino, um fato impensável nos dias atuais. Essa atitude talvez possa ser interpretada como um pedido de desculpas, como relatou a Folha do Norte, de 20/12/1915: 

“(...) acompanhavam-nos os valentes rapazes do Paysandu Sport Club. Registramos o fato com muita satisfação por vermos que neste momento importante para o Pará desportivo, os nossos foot-ballers num congraçamento feliz, dão trégua a pequenos ressentimentos pessoais e, vendo o progresso do esporte, pugnam unidos pelo bom nome de nossa terra”.

1916 – TETRACAMPEÃO 

A busca pelo tetra se iniciou em 21/05/1916 com impiedosos 5 a 0 no Aliança, seguido de um 2 a 0 sobre o Panther. Depois, os azulinos – até então invictos em jogos oficiais desde 1913 – conheceriam a sua primeira derrota: 1 a 2 diante do União Sportiva, no dia 09/07, sendo que o Remo ainda teve um pênalti desperdiçado por Armindo. Mas a recuperação foi avassaladora, com goleadas sobre o Guarany (5 a 0), Aliança (5 a 1) e a vingança contra União (7 a 0). A campanha do quarto título consecutivo se encerrou com as vitórias de 3 a 0 sobre o Guarany e 1 a 0 sobre o Panther.

Como se observa, o Clube do Remo conquistou o primeiro tetracampeonato da história do futebol paraense sem ter jogado contra o seu maior rival, o Paysandu. Isso se deu porque o clube bicolor resolveu abandonar o campeonato por divergências com a Liga Paraense de Foot-Ball (LPF). Como forma de reconciliação, a LPF criou a Taça Lauro Muller, disputada entre Remo e Paysandu, no dia 15/10/1916. A ocasião contou até com a presença do Governador do Estado na época, o Sr. Éneas Martins. É óbvio que o ano não poderia acabar sem um triunfo remista no Re-Pa. Demonstrando a sua autoridade de campeão, o Remo venceu por 3 a 0.

Estado do Pará, 16 de outubro de 1916

1917 – PENTACAMPEÃO

Após uma intertemporada de descobrimento de outras terras, com excursões a São Luís (MA) - a primeira interestadual da história azulina - e Recife (PE) - onde conquistou um troféu relativo ao Centenário da Revolução Pernambucana de 1817 -, o Clube do Remo voltava as suas atenções para manter a hegemonia na sua. No dia 1° de julho de 1917, os azulinos estrearam no Campeonato Paraense vencendo o União Sportiva com por 3 a 0. Ainda nesse período, faria mais dois jogos: 3 a 3 com o Paysandu e impressionantes 13 a 0 sobre o Fênix. Mas o grande momento do clube viria no mês seguinte.

Em 15/08/1917, quando completava seis anos de Reorganização, o Clube do Remo inaugurou o seu "campo de sports", futuro estádio Evandro Almeida, o Baenão. Foi disputado um jogo entre a Seleção da Liga Paraense de Esportes Terrestres (LPET) e o time da Reserva Naval. O primeiro jogo do Clube do Remo em seu estádio só ocorreria em 02/09/1917, quando venceu o Panther por 3 a 1. Antes, os azulinos já haviam vencido o Fênix Sport Club por 5 a 3 no dia 19/08, mas ainda no campo da empresa Ferreira & Comandita. 

Na sua nova casa, o Remo não perdeu mais, aplicando 6 a 0 no União Sportiva, 3 a 1 no Brasil Sport e 6 a 1 no Nacional – antigo Panther, que mudou seu nome no dia 18/10 daquele ano –; além de empatar em 1 a 1 com o Paysandu no domingo de Círio (14/10). Curiosamente, apenas a goleada de 9 a 0 sobre o Fênix, em 28/10, e o jogo que garantiu o pentacampeonato não foi no estádio azulino: Remo 3 a 1 Paysandu, em 16/12/1917, na Ferreira & Comandita, gols de Dudu, Chermont e Rubilar.

Estado do Pará, 16 de dezembro de 1917

1918 – HEXACAMPEÃO 

O Campeonato Paraense de 1918 correu o risco de não ter um desfecho. O motivo foi a disseminação vírus influenza H1N1, causador da Gripe Espanhola, pandemia que gerou milhões de mortes no mundo inteiro. Apesar do nome, sugere-se que a gripe tenha iniciado entre as tropas britânicas situadas na França em fins da Primeira Guerra Mundial ou até mesmo nos Estados Unidos. De qualquer forma, a pandemia chegou ao Brasil pelo Nordeste em setembro de 1918 através do navio inglês “Demerara", se estendendo para a capital paraense. 

Como consequência, no intuito de evitar a propagação do vírus, o campeonato teve que ser paralisado entre outubro e novembro de 1918. Até aquele momento, o Clube do Remo já havia disputado seis jogos. Estreou goleando o Luso Brasileiro por 10 a 0 no dia 03/05. Em seguida, empatou com o Brasil Sport em 1 a 1 e emplacou uma sequência de vitórias – 8 a 0 no Nacional, 4 a 2 no Paysandu, 4 a 2 no União Sportiva e 8 a 0 no Luso Brasileiro, em 06/10, o último jogo antes da paralisação.

Estado do Pará, 24 de novembro de 1918

No dia 24/11, o Estado do Pará anunciou o reinício do campeonato com os jogos Remo x União Sportiva e Paysandu x Brasil Sport, mas não se tem notícia posterior do placar dessas partidas nem mesmo a comprovação se ambas foram realizadas. Caso a “pugna" realmente tenha acontecido, presume-se que tenha sido vencida pelos azulinos, já que, segundo o mesmo jornal, o jogo seguinte, entre Remo e Paysandu, no dia 15/12, no Baenão, era o “encontro decisivo do campeonato". 

Estado do Pará, 15 de dezembro de 1918

Conta ainda Estado que o Remo possuía um ponto acima do Paysandu na tabela. Considerando-se que uma vitória valia dois pontos e o empate, um; que o time bicolor havia perdido apenas um jogo – contra o próprio Remo – e vencido todos os outros; e que o Remo já havia empatado antes contra o União em 1 a 1; o resultado mais provável para o jogo do dia 24/11 seria a vitória azulina. 

De todo modo, o que interessa mesmo é a “final". Pela posição privilegiada, o Estado do Pará ressaltou que “mesmo um empate dará mais uma vez o glorioso título ao conjucto azulino". E foi o que aconteceu. Da forma mais pragmática possível, um empate seco, sem gols, proporcionou o hexacampeonato de futebol, uma façanha que nenhuma outra agremiação na centenária história do Campeonato Paraense conseguiu. E essa conquista é ainda mais especial, pois foi a primeira das muitas obtidas no solo azulino do Baenão.

1919 – HEPTACAMPEÃO 

O Remo já havia conquistado aquilo que nenhum outro time paraense conseguiria. Mas ainda não era suficiente. E foi essa gana que resultou na conquista do sétimo título estadual consecutivo em 1919, o inigualável heptacampeonato, o estabelecimento definitivo do Reinado Azul, que se estenderia ao longo de todas as décadas posteriores. Além disso, a consagração para eternidade dos primeiros heróis azulinos, que tem nas pessoas do inabalável defensor Lulu e do polivalente atleta Rubilar, os únicos presentes em toda essa caminhada vitoriosa, as suas mais gloriosas e celebradas figuras.

Apesar de todo o peso e importância desse feito, ironicamente as informações acerca da jornada vitoriosa são incompletas. Sabe-se que o Clube do Remo iniciou a sua campanha no dia 01/06/1919, da melhor forma possível: 12 a 1 no Luso-Brasileiro. Prosseguiu com vitórias de 5 a 1 sobre o Nacional, 2 a 1 sobre o Paysandu e 4 a 0 sobre o União, sendo que o Re-Pa, disputado em 06/07, foi bastante tumultuado, contando com a expulsão do bicolor Suíço e o abandono do seu time de campo – um costume antigo.

Porém, a partida que fechou o turno contra o Brasil Sport, além dos jogos do returno contra Luso-Brasileiro e Nacional, infelizmente, não tem seus resultados conhecidos. Mas o jogo seguinte, o Re-Pa de 5 de outubro, sim. Dessa vez os bicolores não fugiram de campo... Preferiram nem comparecer, tendo notificado a decisão à LPET no dia anterior. O Remo então venceu por WO e manteve o tabu de sete anos sem derrotas em Re-Pa's oficiais. Depois ainda triunfou sobre o União Sportiva por 4 a 0 e sobre o Brasil Sport por 2 a 1, finalizando a sua campanha já em 04/01/1920.

Tabela veiculada pelo Estado do Pará, de 5 de outubro de 1919, que até então o Remo jamais havia perdido um Re-Pa oficial, válido pelo Campeonato Paraense

Com base nisso, presume-se que o Remo tenha conquistado o título por possuir maior número de pontos, já que, dos jogos comprovados, os azulinos venceram todos e o seu principal rival, o Paysandu, não mostrou poder de competividade. Notícias posteriores se referem ao Remo como o campeão daquele ano. Inclusive, a conceituada revista carioca Vida Sportiva, na sua edição de número 138, de 17/04/1920, estampou o Esquadrão Azulino em sua capa com a seguinte legenda: “Team do Club do Remo, de Belém, Pará, que é o campeão do norte do Brasil".


AS CAMPANHAS

1913

14/07/1913. 
REMO 4 X 1 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1913.
Campo de São Brás. 
Gols: Antonico (2), Nahon (2) e Oscar.

03/08/1913. 
REMO 4 X 0 GUARANY-PA. 
Campeonato Paraense 1913. 
Campo de São Brás. 
Gols: Chermont, Antonico, Aldo (contra) e ? 

10/08/1913. 
REMO 3 X 2 PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1913. 
Campo de São Brás.
Gols: Nahon e Antonico (2); ?, ?

31/08/1913. 
REMO 2 X 1 INTERNACIONAL CLUB-PA. 
Campeonato Paraense 1913. 
Campo de São Brás.
Gols: Antonico (2); Spearman.

05/10/1913. 
REMO 1 X 1 NORTE CLUB-PA. 
Campeonato Paraense 1913. 
Campo de São Brás. 
Gol: ?; Hugo.

26/10/1913. 
REMO 10 X 0 BELÉM SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1913. 
Campo de São Brás. 

Estatísticas: 6 jogos, 5 vitórias, 1 empate, 24 gols pró e 5 gols contra.

1914

14/06/1914. 
REMO 2 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Bayma (contra) e Antonico; Mathews.
Obs.: Primeiro Re-Pa da história.

05/07/1914. 
REMO 5 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Rubilar (3), Chermont e Antonico. 

09/08/1914. 
REMO 5 X 1 GUARANY-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Rubilar (3) e Antonico (2); ?
Obs.: Jogo em substituição à partida de 26/07/1914 (Remo 2 x 1 Guarany), que foi anulada.

23/08/1914. 
REMO 9 X 0 ALIANÇA-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

07/09/1914. 
REMO 5 X 0 BRASIL-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

04/10/1914. 
REMO 8 X 0 YPIRANGA-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Obs.: O Ypiranga é o antigo Belém Sport.

18/10/1914. 
REMO X PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

06/12/1914. 
REMO 3 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1914 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Antonico (3); Hugo.

25/12/1914. 
REMO X UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1914 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

Estatísticas: 9 jogos, 7 vitórias, 2 resultados desconhecidos, 37 gols pró e 3 gols contra.

1915

03/05/1915. 
REMO 1 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1915 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gol: Ludgards (1T); Arthur (1T).

06/06/1915. 
REMO 2 X 1 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Rubilar (1T) e Antonico (2T); Ninito (1T).

04/07/1915. 
REMO 12 X 2 GUARANY-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.

25/07/1915. 
REMO 4 X 0 PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Antonico (3) e Armindo. 

12/10/1915. 
REMO 9 X 0 GUARANY-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Macedo (2), Armindo (2), Antonico (2), Ludgards e Virgílio. 

31/10/1915. 
REMO 9 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Antonico (3), Bezerra (3), Virgílio (2) e Macedo (1). 

07/11/1915. 
REMO 9 X 0 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Antonico (3), Rubilar (2), Chermont (2) e Bezerra (2). 
Obs.: Jogo em substituição à partida de 01/08/1915 (Remo 1 x 0 Brasil Sport), que foi anulada.

28/11/1915. 
REMO 6 X 1 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.

12/12/1915. 
REMO 0 X 1 PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1915 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.

19/12/1915. 
REMO 5 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1915 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.
Gols: Chermont (1T e 1T), Antonico (1T), [Remo] (1T), Virgílio (1T); ?

Estatísticas: 10 jogos, 8 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 57 gols pró e 7 gols contra.

1916

21/05/1916. 
REMO 5 X 0 ALIANÇA-PA. 
Campeonato Paraense 1916 – Turno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Macedo (15’/1T, 1T, 1T e 2T) e Armindo.
Obs.: Jogo entre o campeão da Primeira e o campeão da Segunda Divisão de 1915.

11/06/1916. 
REMO 2 X 0 PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1916 – Turno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Macedo (5’/1T) e Curiol (2T).

09/07/1916. 
UNIÃO SPORTIVA-PA 2 X 1 REMO. 
Campeonato Paraense 1916 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Everaldo (20’/1T) e Curiol (25’/2T); Pedro (1T).

23/07/1916. 
REMO 5 X 0 GUARANY-PA. 
Campeonato Paraense 1916 – Turno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Aldo (contra – 1T), Armindo (1T, 2T e 2T) e Macedo (2T). 

15/08/1916. 
REMO 5 X 1 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1916 – Turno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Antonico (1T), Armindo (1T), ?, ?, ?; ?

10/09/1916. 
REMO 7 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA.
Campeonato Paraense 1916 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

01/10/1916. 
REMO 3 X 0 GUARANY-PA.
Campeonato Paraense 1916 – Returno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

12/10/1916. 
PANTHER-PA 0 X 1 REMO. 
Campeonato Paraense 1916 – Returno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Obs.: Após a confusão entre os jogadores Tobias Xavier (Remo) e Pau Amarello (Panther), os jogadores do Panther abandonaram o campo. 

17/12/1916. 
REMO (V) X (D) BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1916 – Returno.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Obs.: Jogo remarcado do dia 12/11/1916 (Remo 1 x 1 Brasil Sport), que foi anulado. Não se sabe ao certo o placar do jogo, mas o Remo venceu. Porém, ao que parece, tal qual houve irregularidade no primeiro jogo, nesse também houve. No caso, após o árbitro marcar um pênalti para o Remo, o goleiro do Brasil se recusa a defender e abandona o campo. A partida acaba encerrada quando faltavam 22 minutos para o seu término (ultrapassando os 10 minutos máximos para o fim do jogo). Dessa forma, o Brasil também entrou com um recurso solicitando a anulação dessa partida. Aparentemente, acabou dando em nada. O Remo foi campeão paraense de 1916.

Estatísticas: 9 jogos, 8 vitórias, 1 derrota, 29 gols pró e 3 gols contra.

1917

01/07/1917. 
REMO 3 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Infante (1T e 1T) e Djalma (2T). 

14/07/1917. 
REMO 3 X 3 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1917 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Djalma (1T e 2T); Aurélio (1T), Zito Brígido (1T) e Arthur (2T). 

22/07/1917. 
REMO 14 X 0 FÊNIX-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

19/08/1917. 
REMO 5 X 3 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Turno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu.  
Gols: Cícero (14’/1T), Djalma (1T, 1T e 2T) e Ludgards (2T); João (1T, 2T e 2T).

02/09/1917. 
REMO 3 X 1 PANTHER-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Turno. 
Estádio do Remo/Baenão. 
Gols: Dudu (1T), Chermont (2T) e Djalma (2T); Rocha (35’/1T).
Obs.: Primeiro jogo do Remo no Baenão.

07/10/1917. 
REMO 6 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Returno.
Estádio do Remo/Baenão. 
Gols: Cícero (2), Dudu, Djalma, Ludgards e Chermont. 

14/10/1917. 
REMO 1 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1917 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 
Gols: Chermont (15’/1T); Astrogildo (17’/2T).

28/10/1917. 
REMO 9 X 0 FÊNIX SC-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Returno. 
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 

16/11/1917. 
REMO 3 X 1 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

25/11/1917. 
REMO 6 X 1 NACIONAL-PA. 
Campeonato Paraense 1917 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 
Obs.: O Nacional é o antigo Panther, que mudou de nome em 28/10/1917.

Como terminaram o returno em igualdade de pontos (18), Remo e Paysandu fizeram um jogo-desempate para se apurar o campeão paraense de 1917.

16/12/1917. 
REMO 3 X 1 PAYSANDU.
Campeonato Paraense 1917 – Decisão.
Estádio da Firma Ferreira & Comandita/Curuzu. 
Gols: Dudu (20’/1T), ?, ?; Astrogildo (2T).
Obs.: Clube do Remo sagrou-se pentacampeão paraense de futebol.

Estatísticas: 11 jogos, 9 vitórias, 2 empates, 56 gols pró e 11 gols contra.

1918

03/05/1918. 
REMO 10 X 0 LUSO BRASILEIRO-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Turno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

09/06/1918. 
REMO 1 X 1 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Turno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

30/06/1918. 
REMO 8 X 0 NACIONAL-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Turno.
Estádio do Remo/Baenão. 

04/08/1918. 
REMO 3 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1918 – Turno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

25/08/1918. 
REMO 4 X 2 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Turno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

06/10/1918. 
REMO 8 X 0 LUSO BRASILEIRO-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Returno.
Estádio do Paysandu/Curuzu.

24/11/1918. 
REMO X UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

08/12/1918. 
REMO 10 X 2 NACIONAL-PA. 
Campeonato Paraense 1918 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 

15/12/1918. 
REMO 0 X 0 PAYSANDU.
Campeonato Paraense 1918 – Returno. 
Estádio do Remo/Baenão. 
Obs.: Como tinha um ponto a mais que o rival, bastou o empate para que o Clube do Remo conquistasse o hexacampeonato paraense.

Estatísticas: 9 jogos, 6 vitórias, 2 empates, 1 resultado desconhecido, 44 gols pró e 6 gols contra.

1919

01/06/1919. 
REMO 12 X 1 LUSO BRASILEIRO-PA. 
Campeonato Paraense 1919. 
Estádio do Remo/Baenão.

22/06/1919. 
REMO 5 X 1 NACIONAL-PA. 
Campeonato Paraense 1919. 
Estádio do Paysandu/Curuzu. 
Gols: ?, ? (contra), Bordallo, ?, ? 

06/07/1919. 
REMO 2 X 1 PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1919. 
Estádio do Paysandu/Curuzu. 

03/08/1919. 
REMO 4 X 0 UNIÃO SPORTIVA-PA. 
Campeonato Paraense 1919. 
Estádio do Remo/Baenão.

Obs.: O Futebol 80 cita os jogos Remo x Brasil Sport (16/08/1919), Remo x Luso Brasileiro (09/1919) e Remo x Nacional (21/09/1919), todos com resultados desconhecidos, os quais não foi possível confirmar suas realizações pelo Estado do Pará na Biblioteca Nacional Digital.

05/10/1919. 
REMO WO X PAYSANDU. 
Campeonato Paraense 1919.
Obs.: O Paysandu notificou na véspera do jogo que não comparecia.

16/11/1919. 
REMO 3 X 1 UNIÃO SPORTIVA. 
Campeonato Paraense 1919. 
Estádio do Paysandu/Curuzu. 

30/11/1919.
REMO 2 X 1 BRASIL SPORT-PA.
Campeonato Paraense 1919.
Estádio do Remo/Baenão.
Obs.: Esse jogo pode ser o referente ao dia 16/08/1919. Para fins estatísticos, ele será considerado.

04/01/1920. 
REMO 2 X 1 BRASIL SPORT-PA. 
Campeonato Paraense 1919.
Estádio do Remo/Baenão.
Gols: Ludgards (1T) e ?; Lauro (2T).

Estatísticas: 10 jogos, 8 vitórias (1 WO), 2 resultados desconhecidos, 30 gols pró e 6 gols contra.

TOTAL: 64 jogos, 51 vitórias (1 por WO), 6 empates, 2 derrotas, 5 resultados desconhecidos, 277 gols pró e 41 gols contra.