quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Jogos Históricos – Novo Hamburgo-RS 1 x 2 Remo (2005)

Maurílio e Capitão, os heróis do título – Foto: Carlos Silva / Arquivo O Liberal.

No dia 20 de novembro de 2005, o Clube do Remo entrava em campo pela última e decisiva rodada do quadrangular final do Campeonato Brasileiro Série C. Porém, nessa ocasião, o Mais Querido não poderia contar com o apoio da sua principal arma durante a competição, a torcida. O jogo seria disputado no estádio Santa Rosa, em Novo Hamburgo (RS), contra o time de mesmo nome.

Ao mesmo tempo, jogariam América-RN e Ipatinga-MG no estádio Machadão, em Natal (RN). Nesse momento, a classificação do quadrangular apontava o seguinte: 1º América-RN – 9 pontos; 2º Ipatinga-MG – 8; 3º Remo – 7; 4º Novo Hamburgo-RS – 4. Portanto, só a vitória interessava ao Leão. 

Mas a tarefa não seria fácil. O Remo vinha de um empate frustrante diante do Ipatinga-MG em um Mangueirão lotado. Já o Novo Hamburgo-RS, apesar de estar eliminado, havia acabado de ganhar do Juventude-RS, que estava na Série A, em jogo válido pela Copa FGF (RS), da qual o próprio Novo Hamburgo seria campeão. Além disso, o “Nóia” – como é conhecido – contaria com o incentivo financeiro dos outros clubes interessados na derrota do Remo, prática comum nos bastidores do futebol.

A prova disso foi o jogo duríssimo que os gaúchos impuseram aos remistas, ao ponto de terem as melhores chances no primeiro tempo. Ao Remo, restou apenas duas ou três oportunidades surgidas de bolas paradas. Durante o intervalo, o técnico Roberval Davino fez duras cobranças aos atletas azulinos. Além disso, ele promoveu uma mudança no ataque, colocando Capitão no lugar de Geraldo.

A estrela de Davino brilhou logo aos dois minutos do segundo tempo, quando em cruzamento de Maurílio pela esquerda, Capitão subiu mais alto que todos os seus adversários e cabeceou a bola, que bateu na trave, antes de se alojar no fundo da rede. As poucas dezenas de azulinos presentes no estádio e os milhares espalhados pelo Brasil soltaram o grito de gol que estava entalado na garganta.

Entretanto, o Novo Hamburgo continuou pressionando e criando chances perigosas, chegando até a marcar um gol, que foi anulado por impedimento. Enquanto isso, o contestado goleiro Rafael transformava-se em uma verdadeira muralha. As coisas começaram a melhorar quando o jogador Sidiney foi expulso por agressão.

O Remo procurava atacar através das escapadas de Landu, a Locomotiva Azulina. Em uma delas, aos 29 minutos, ele tocou a bola para Maurílio, que chutou no contra-pé do goleiro, marcando o segundo gol azulino. O sonho estava cada mais perto de ser realizado.

Todavia, como nada para o Remo é fácil, o Novo Hamburgo conseguiu diminuir o placar através de Luiz Gustavo, que anos mais tarde vestiria a camisa azulina, cobrando pênalti aos 34 minutos. A partida ganhou status de dramaticidade. Mas os guerreiros azulinos souberam segurar o placar até o apito final para o delírio de toda a nação remista.

Além do triunfo, veio a glória. Com o empate sem gols entre América-RN e Ipatinga no outro jogo da rodada, o Mais Querido não apenas conseguiu o acesso, mas também o título brasileiro, já que terminou o quadrangular com o mesmo número de pontos do América-RN (10), ganhando no saldo de gols (2 x 1).

Era o único título que faltava na vasta galeria azulina, repleta de conquistas estaduais, regionais e inter-regionais. O título nacional coroava o empenho da torcida azulina, detentora da maior média de público do país, e eternizava o centenário mais glorioso do futebol paraense.

A comemoração do título – Foto: Carlos Silva.

FICHA DO JOGO

20/11/2005.
NOVO HAMBURGO-RS 1 X 2 REMO.
Campeonato Brasileiro Série C 2005 – Fase Final.
Estádio Santa Rosa – Novo Hamburgo (RS). 
Público: 242 (pagantes). 
Renda: R$ 1.695.00. 
Árbitro: Djalma José Beltrami (RJ).  
Novo Hamburgo-RS: Luciano; Dias, Sidney e William; Rafael, Pedro Ayub, Émerson, Preto e Gérson (Valdinei); Flaviano (Duda) e Luiz Gustavo. Técnico: Gilmar Iser. 
Remo: Rafael; Marquinhos, Magrão, Carlinhos e Eduardo (Sérgio); Márcio Belém, Serginho, Maurílio e Geraldo (Capitão); Landu e Douglas Richard (Aílton). Técnico: Roberval Davino.
Gols: Luiz Gustavo (34’/2T); Capitão (2’/2T) e Maurílio (29’/2T).
Cartões Amarelos: Preto; Eduardo, Marquinhos, Sérgio, Aílton e Rafael.
Expulsão: Sidiney.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Torneio Internacional de Paramaribo de 1999

Em março de 1999, o Remo excursionou ao Suriname, onde disputou e conquistou o Torneio Internacional de Paramaribo. Foi o terceiro título azulino no país, juntando-se às conquistas de 1980 e 1984. Na campanha, o Leão Azul venceu o Robinhood por 1 a 0 e o SNL na final por 2 a 0. 

O Liberal, 27 de março de 1999.

JOGOS

24/03/1999.
ROBINHOOD-SUR 0 X 1 REMO.
Estádio Nacional do Suriname – Paramaribo (SUR).
Remo: Luciano, Anderson (Ricardo), Luís Carlos Trindade, Pachequinho (Balão), Aílton, Mael… Técnico: Fernando Oliveira.
Gol: Luís Carlos Trindade (40’/1T).
26/03/1999.
SNL-SUR 0 X 2 REMO.
Estádio Nacional do Suriname – Paramaribo (SUR).
Gols: Leandro (6’/2T) e Mael (27’/2T).
Obs.1: O SNL era o campeão surinamês.
Obs.2: O Remo sagrou-se campeão do Torneio Internacional de Paramaribo (Suriname).

Antes de retornar a Belém, os azulinos ainda empataram com a Seleção do Suriname em 1 a 1, no dia 28 de março, sendo o gol remista marcado por Mael.